Press "Enter" to skip to content

A incrível habilidade de entrar no automático.

Ares 8

Já ouviram falar que o corpo humano é uma máquina?

O corpo humano é uma máquina perfeita. Na natureza há diversas provas disso.

Um guepardo chega a correr por velocidades impressionantes, mas ele tem um limite máximo de 1 a 5 km de distância total. Nós humanos não chegamos a velocidades tão altas, mas há alguns que conseguem correr por 560 km direto sem parar. Inclusive, a caça antigamente, há milhares de anos, era feita assim: os humanos perseguiam os animais até eles cansarem e aí podiam captura-los.

Os caçadores de antigamente corriam quase a distância entre Belo Horizonte e São Paulo pra comer. Você não precisa fazer isso, na real, não precisa sair de casa tem Ifood, delivery e talz.

Independente se você tem toda essa capacidade física, coisa que eu definitivamente não tenho, você é mais do que um corpo que corre muito, você tem um supercérebro.

Nesse link aqui: https://incrivel.club/criatividade-saude/8-provas-de-que-nosso-corpo-e-uma-maquina-perfeita-238360/

Eu achei algumas informações interessantes e curiosidades que mostram que o ser humano é incrível.

Tentaram criar um supercomputador com uma memória RAM de 1,4 milhões de Gigabytes. O seu celular que você está segurando deve ter aí 8 megabytes. O supercomputador levou 40 minutos pra fazer o que o cérebro faz em um segundo.

Nesse artigo aí tem mais coisas interessantes.

O seu cérebro, se você tiver 80 kg, pesa 1,5kg provavelmente. A média é: 2% do peso do corpo é equivalente ao cérebro.

Mas o fato, que quero trazer sua atenção, é que: Você enquanto ser humano, é foda.

Só que, essa máquina perfeita tem alguns “programas” indesejados, ou mesmo limitadores.

Deixa eu explicar.

A função básica de todo ser vivo, é: ser vivo. É sobreviver. Pra sobreviver, a gente se adapta e a maior adaptação que temos, que praticamos, é a de economizar energia.

Funciona mais ou menos assim: Se você tinha que ir até a esquina comprar e cozinhar, hoje você liga, pede e paga, vem tudo pronto, você economiza energia.

O nosso corpo tem algumas partes que gastam mais energia do que outras.

O maior consumidor de energia do nosso corpo é o nosso cérebro. Principalmente eu e você, que temos nossa parcela de sedentarismo e passamos mais tempo lendo, assistindo e usando celular do que fazendo exercícios, caminhando e levantando pesos.

Quando estamos aprendendo ou vivendo algo novo, nosso cérebro imediatamente liga o turbo. Pra dar conta de tudo que é novo, o cérebro fala pro nosso corpo produzir hormônios, respirar mais, e até parar as vezes. Esse modo turbo puxa mais energia pra dar conta de tudo o que é novo e organizar isso.

Atenção: Aquelas sensações agudas no seu peito, podem não ser o cérebro falando pra parar, as vezes pode ser só ataque cardíaco mesmo. Vá ao médico as vezes. Hahahahaha

Quando a gente conhece uma pessoa nova e nos identificamos, gostamos dela, o nosso cérebro começa a liberar hormônios de prazer. Uma das funções de ser vivos é de continuar a nossa espécie.

A gente se apega muito rápido e até apaixona, principalmente se a pessoa começar a viver coisas novas com você, você aprende e o seu universo se expande. Se antes você não tinha consciência de algumas coisas, agora você tem. O nosso cérebro está a mil e estamos felizes com essa pessoa nova que nos torna melhores.

Às vezes, a coisa toda começa diferente. Encontramos um universo novo, que poderia muito bem ser o universo dos pervertidos, ou o universo da realização sexual, ou ainda quem sabe, o universo do novo BDSM. Algo com que nunca sonhamos e que se apresenta diante dos nossos olhos.

Quando nesse momento de descoberta, justamente por nosso cérebro estar fritando tentando assimilar tudo, quando encontramos pessoas familiares e acolhedoras, nós tendemos a nos apaixonar. Há inclusive algumas pesquisas que dizem que nesses momentos de novas descobertas e aprendizados, nós nos abrimos mais pra nos apaixonar.

Eu não lembro onde está a pesquisa, na real, meu cérebro me diz agora “termine o texto sem a pesquisa e economize energia, deixe as pessoas que quiserem saber mais sobre essa pesquisa, que procurem por si só”. Risos.

Mas se serve como um embasamento cientifico, (na minha opinião não serve como embasamento), provavelmente você já deve ter tido pelo menos, duas épocas da sua vida.

Uma delas quando você estava descobrindo a sua sexualidade, descobrindo o sexo e descobrindo o seu tesão. Nessa época, provavelmente, você se apaixonou mais.

Enquanto que houve épocas da sua vida, em que você estava um tédio completo e nada acontecia. Não pegava ninguém e nem se apaixonava.

Qual, que na minha opinião, pode ser uma justificativa plausível pra esses dois momentos tão distintos?

Que num deles havia transformações e movimento, enquanto que no outro, você estava completamente confortável.

Nós precisamos dos dois momentos nas nossa vidas. Nenhuma máquina, por mais perfeita que seja, aguenta rodar a 100% por muito tempo.

Então pra economizar energia, o seu cérebro que estava ali aprendendo, fritando, se abrindo pra pessoas novas, vivendo novas experiências e tudo mais, começa a tentar trazer tudo pro modo automático.

Há mais chances de você se lembrar da primeira vez que fez alguma coisa, do que da segunda, do que da terceira. Tente se lembrar da primeira vez que foi pra escola nova, tente se lembrar da primeira vez que foi a faculdade, da primeira vez que foi ao trabalho. Você provavelmente vai se lembrar de muitos detalhes, do percurso, das placas, talvez algumas pessoas, talvez até do clima.

O seu cérebro estava ali, presente, atento, absorvendo tudo, afinal era uma experiência nova e por si só essa experiência nova era um risco. Como por uma questão de sobrevivência, estar atento era necessário.

Hoje em dia, quando pego o meu carro pra fazer um percurso que já fiz milhões de vezes, as vezes nem lembro. É a mesma rua sempre, é o mesmo caminho, é tudo igual, então a gente entra no automático.

Nas relações é a mesma coisa.

O primeiro jantar romântico, que exigiu tamanha preparação e planejamento. A primeira sessão que pediu a escolha dos acessórios e atenção aos detalhes. A primeira vez que você transou, o primeiro contato com BDSM, com fetiches, enfim, coisas que fugiam do seu normal, do seu automático, são lembradas.

A medida que a relação caminha, continua, se concretiza, ela tende a sair mais do campo das descobertas e cair mais no campo do automatismo.

É o nosso cérebro tentando economizar energia.

Se antes você convidava pra sair, havia o risco de dar alguma coisa errada, ou mesmo da pessoa simplesmente recusar, hoje você chega em casa e está relativamente fácil. Desde que o dia da pessoa não tenha sido uma bosta, ou ela esteja com dor de cabeça, o sexo está relativamente fácil.

Já perdi as contas de quantas vezes eu queria transar, e eu dependia de convidar a pessoa, buscar, ir ao motel e as coisas acontecerem. Já perdi também as contas de quantas vezes o trabalho de transar me desestimulou e me fez desistir.

Sabe qual a forma mais retardada que nós tentamos economizar energia pra ter sexo e as vezes nem percebemos?

Tentar estabelecer um compromisso.

Funciona assim: você não tem nada sério com a pessoa, então cada vez que você quer transar com ela é um parto. Depende de você estar num dia bom, depende da outra pessoa estar num dia bom, depende de um local apropriado, depende de um convite apropriado, depende de o desejo das duas pessoas, depende de inúmeras coisas, inclusive em alguns casos, da esposa ou do marido darem brecha pra não descobrir e dar problema depois.

Aí a gente tenta, com nosso cérebro tentando economizar energia, escolher pelo mais fácil, que te gasta menos.

Se o problema é um dia bom, eu causo o dia bom, convido a pessoa pra sair e talz. É mais fácil ela aceitar transar comigo se está num bom momento.

Se o convite tem que ser apropriado, eu descubro o que a pessoa gosta e fica mais fácil.

Se o problema é o marido ou a esposa, eu tento forçar a barra, mesmo sendo amante pra me tornar a oficial, ou o oficial. (Há inúmeros outros problemas que se cria aqui, mas não é o foco desse texto, talvez outro dia.)

Mas o fato é que conscientemente tudo isso dá trabalho, um trabalho físico, que conscientemente nos cansa.

“Porra, vo ter que ir lá na pqp pra buscar a pessoa.”

Só que o nosso subconsciente, o nosso cérebro num nível em que não temos consciência, pois não prestamos atenção, não liga muito pra esforço físico nesse caso.

O nosso subconsciente resolve o que quer que seja, algo do tipo “mas eu amo ela”, “mas eu amo ele” e o nosso consciente justifica, racionaliza e nos move.

Sendo assim o nosso cérebro tenta muito mais resolver e evitar os problemas que necessitam de esforço mental, tentando procurar uma zona de conforto, do que os problemas que necessitam de esforço físico.

Já vi muitas vezes as pessoas escolherem um relacionamento extremamente trabalhoso e desgastante porque exigia menos esforço mental. Era mais fácil racionalizar e aceitar coisas ruins, do que abrir mão do relacionamento, se reinventar, aprender mais e gastar mais cérebro.

Da mesma forma já vi pessoas abrirem mão de relacionamentos com pessoas incríveis, pois as pessoas incríveis as forçavam a sair da zona de conforto. Alguém que te força a pensar, provavelmente é alguém que você evita no longo prazo, se você não estiver consciente disso.

Como que eu sei?

Algumas das pessoas que eu mais causei transformações na vida delas, não querem mais contato comigo, pois isso poderia estragar as relações confortáveis delas e elas querem “sossego”. Elas escolheram pensar menos.

Enquanto que as pessoas que querem transformação, tesão e gozar mais, estão aqui lendo esse texto e tentando ser melhores, mesmo que isso eventualmente exija mais esforço mental.

(Corre o risco também de essas pessoas que não querem mais contato comigo, estarem magoadas comigo, ou mesmo de eu ter sido meio babaca com elas. Afinal, eu posso estar completamente errado em tudo o que faço e falo.)

O nosso cérebro não quer pensar, ele provavelmente joga o esforço pro restante do corpo por preguiça de pensar.

E qual o problema disso tudo?

O problema é: Se você não tomar consciência de que o seu cérebro quer economizar energia, você provavelmente vai pegar todas as coisas incríveis que está aprendendo e enfiar no cu.

A gente tenta pegar tudo que estamos aprendendo e tentar trazer pro cotidiano, pro normal. A gente tenta aprender pra parar de pensar.

E pior, a gente para de aprender.

“Nossa, descobri o BDSM, é um monte de fetiche foda.”

Aí a pessoa que não tem noção da profundidade da coisa, que não sabe que o tesão do sadismo e do masoquismo existiam desde antes de cristo, olha pra isso tudo e pensa:

“Deve ser só falar que é Dom, bater e foder com força.”

Em menos de um segundo, a pessoa toma a decisão de simplificar toda uma cultura, anos de vivencias e experiências, anos de estudos científicos do corpo humano, do que dá tesão, dos hormônios e do que mexe com as pessoas em simplesmente:

“Deve ser só falar que é Dom, bater e foder com força.”

Pior ainda, há pessoas que querem pegar a sua única experiencia individual e tornar verdades absolutas. Dizer que é a base do BDSM.

Eu sei que no nosso instinto a gente quer sobreviver, gozar e passar pra frente o nosso material genético.

Mas se você REALMENTE descobriu um mundo novo, com pessoas novas e possibilidades novas, não escolha o simples.

Não tenha preguiça de pensar e muito menos economize energia no seu aprendizado.

Eu fiz um teste certa vez. Tem uns anos já.

Escolhi algumas pessoas ditas praticantes, subs homens, subs mulheres e dommes. Somavam 22 pessoas. Não tinha nenhum Dominador, nem tentei, eles já não querem aprender, pelo menos os daquela época, então não ia gastar energia com eles.

Perguntei se viviam suas fantasias. Naquela época a coisa toda era mais simples pra mim, então as pergunta eram mais simples.

Perguntei se queriam aprender alguma coisa nova.

Se houvesse a possibilidade de reunir aquelas 22 pessoas e perguntar a elas “Vocês querem aprender mais e gozar mais?” Provavelmente elas responderiam em uníssono: “SIMMMMMM”.

Então eu ofereci a possibilidade. Reuni alguns dos artigos que gostava, traduzi algumas coisas que achava foda e enviei. De graça. Não pedi nada para as pessoas em troca disso.

Não era nada difícil, e não era nada pouco importante. Não eram imagenzinhas em preto e branco com textos mal escritos.

Eram materiais que tinham mudado a minha vida. Que traziam informações importantíssimas sobre o jogo em si. Era ainda sim um material pequeno, de cerca de 40 páginas.

Eu sou o doido dos cookies e do analytics. Então eu sabia se as pessoas haviam aberto, até onde tinham ido e vi que ninguém, absolutamente ninguém, leu tudo até o final.

E daí que eu vi que a maioria das pessoas tem preguiça de pensar. Além de que, independente se a pessoa quer o que você tem a oferecer ou não, ela só vai até o final se ela pagar o preço.

Esse preço que as pessoas tem que pagar, as vezes é comer o pão que o diabo amassou, pra só assim entender que aprende e se move, ou não aprende e se frustra.

De qualquer forma, a decisão de sair da zona de conforto é da outra pessoa, não sua. Você só mostra e deixa ela escolher o que ela quer.

É basicamente o que fiz com você até agora, te mostrei um monte de coisas novas, a escolha é sempre sua.

Então, já que estamos até aqui nesse texto longo, deixa eu tentar tirar algumas lições práticas disso tudo.

1 – Guepardos tem mais velocidade que humanos, humanos tem mais autonomia.

2 – Perceba se não é você que está com preguiça de pensar. Se você não tiver consciência o seu cérebro te coloca pra comer, dormir e se masturbar, e você nem percebe. Você fica no automático e sua vida vai ser sempre mais do mesmo. Sem novidades, tediosa e sempre esperando que algo mágico aconteça. O que já adianto, provavelmente não vai acontecer. Mas eu posso estar errado também e estar falando besteira.

3 –

4 –

5 –

6 –

7 –

8 –

9 –

10 – Quem não paga, tempo, dinheiro, suor, sofrimento, etc. Não valoriza.

Do 3 ao 9, são lições que você talvez tenha aprendido. Você não tem preguiça de pensar, então pode até me falar, se achar que deve, se tirou alguma lição disso tudo.

Qual lição, ou quais lições, você aprendeu desse texto?

  1. Taty Taty

    Adorei o texto e realmente você tem razão. Vejo as pessoas levando tudo no automático em praticamente todos os ámbitos da vida com a família, amigos, trabalho, vida sexual, etc. Não que eu não o faça mas existem treinos que fazemos onde podemos aprender focar e sair desta zona. É o que eu tenho praticado e se eu percebo que estou com “preguiça” de algo tento meditar sobre o porquê aquilo está acontecendo, para não deixar passar o tempo e perder a oportunidade de viver coisas novas. Posso compartilhar seu texto? Abraços!!!

  2. Maykon William Maykon William

    Boa parte das pessoas vivem no modo automático e isto em várias classes sociais. Exemplo disto, existem as coisas simples que não apreciamos mais, como a super lua que teve, pode ser visto como um reflexo do problema. Desde cedo somos acostumados com a comodidade, somos condicionados a isso e não percebemos, em grande parte. Existe a problemática do ser humano buscar primeiro pelo prazer e evitar a dor, não falo dor a nível físico mas em sentido figurado, dá pra entender, né? Em resumo o texto é bom, puramente verdade…

    • Ares Ares

      Concordo com você, a super lua passou desapercebido e é algo incrível, que provavelmente influenciou a vida de todo mundo.

  3. Léo Regalo Léo Regalo

    O que tiro de lição…
    Nosso corpo é tão fantástico, só que jogamos muitas críticas pra ele e acabamos esquecendo o que ele é capaz de nos dar, admitir que temos poder nos ajuda a mover.
    O que eu to perdendo parado? O que to perdendo sem ousar? É bom saber do que o corpo e a mente tem fome.
    Uma pessoa acomodada pode ficar parada no tempo, é tão melhor
    conhecer várias verdades do que ser só dono de uma.
    Algumas pessoas são prepotentes por serem jovens e outros por se acharem mais experientes, prepotência não pode nos impedir de crescer.
    Precisamos de equilíbrio para nos tornarmos pessoas realizadas,
    ter um pouco de adolescente e de adulto. Frear nosso
    jovem e alimentar nosso coroa.
    Não alimentar o intelecto é morrer aos poucos, é deixar de
    estimular o nosso órgão mais potente.

  4. Talita Cesarino Talita Cesarino

    Me fez reforçar a frase que le em um livro ,à algum tempo atrás ! E,na vida n existe atalhos-eles só existe nas ilusões.A vida é árdua pq só por meio d árduos esforços o crescimento acontece​.✅

    • Ares Ares

      Eu não sei se acredito que tudo tem que ser dificil. AS vezes só queremos um amor tranquilo.
      Mas eu acredito que o esforço nunca deve ser subestimado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *