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O Medo de Praticar BDSM.

Ares 0

O BDSM muda vidas. O BDSM é uma forma de gozar muito gostoso. O BDSM é um guarda-chuva gigante pra praticas, comportamentos e novas formas de se ter prazer através dos mesmos relacionamentos convencionais entre pessoas.

Mas dá medo?

Eu estava lendo até agora pouco o livro dos segredos, do OSHO. Cheguei num capitulo que era sobre as armadilhas da mente. Nessa parte em especifico, estava falando sobre medos e pasmem, os medos dos “tântricos” são os mesmos medos dos “BDSMistas”.

O medo é basicamente a sua mente tentando te manter vivo.

Pense em medo de lugares altos, medo de cobras, medo de animais peçonhentos, medo de dirigir, etc. Algumas pessoa tem medo de sair à rua, uma coisa que parece extremamente simples pra maioria, é um medo aterrorizador pra algumas pessoas. Esses medos, mesmo parecendo simples, são reflexos e são formas da nossa mente nos dizer que não devemos correr riscos desnecessários.

Basicamente o seguinte, coma, durma e “passe a sua semente” a diante. Nossos instintos mais íntimos e viscerais dizem pra garantir nossa segurança, nosso alimento e cuidar da nossa prole. Bem animalesco, bem primitivo, afinal somos bichos “um pouquinho evoluídos”.

Só que “não correr riscos desnecessários” são formas de procurar sempre a zona de conforto.

Essa zona de conforto existia no baunilha. Lembra de quando você era baunilha? Lembra quando você era “não-praticante-de-BDSM”? Tem muito tempo? Tem pouco tempo? Toda quinta quando transa você é baunilha?

Eu aposto que era ruim, mas era confortável.

Pra quem teve um relacionamento sério, isso era bem real. “Mozin”, “Mozão”, beijo pra cá, beijo pra lá, passa a mão e faz ficar duro, tira a roupa, cópula, tira-bota-tira-bota, goza e acabou. “Quinta que vem a gente faz de novo?”.

Era isso, provavelmente, estatisticamente, inúmeros casais transam assim, toda quinta.

Não realizava, não tinha adrenalina, mas era OK. Não dava muito trabalho. Era confortável.

Esse conforto disfarçava uma morte lenta. Uma morte lenta que nossa mente dizia que era aceitável, já que era confortável e não exigia trabalho. Conversas sem vontade, rotinas maçantes, mas era tudo muito “ok”.

Nesse tempo em que você era baunilha, você olhava o BDSM de longe. Curtia fotos e vídeos, a masturbação corria solta diariamente. O histórico do navegador apontava diversos sites curiosos, provocantes, que instigavam os seus desejos.  Os tapas, os jogos, os acessórios, as cordas, as velas e tudo mais que a imaginação permitisse e que você encontrasse na internet.

Mas você tinha medo provavelmente, eu tive em algum momento, não se sinta especial por isso, todos já tivemos medo de BDSM.

Talvez você nem sinta, nem saiba, mas o medo era de que: Se você fizer, alguma coisa para de acontecer.

Funciona assim: Se você começar a praticar BDSM, o seu sexo confortável e monótono de toda quinta feira, para de acontecer. Em um primeiro momento não será necessariamente “praticar BDSM”, mas à medida que você começa o caminho do autoconhecimento, da realização sexual, do poder sobre si mesmo e sobre seus desejos, você não pode voltar.

“Posso sim, é só…” Insira aqui qualquer desculpa esfarrapada. O outro pode te aceitar de volta. A pessoa casada que você se relaciona pode terminar o relacionamento pra ficar com você. O relacionamento que começou errado pode dar certo. O nosso relacionamento não está bom, mas vai voltar a ser tão bom como era no início.

A sua mente te diz que qualquer situação que seja, pode se resolver e você pode viver confortável como era antes.

A sua mente vai tentar te falar sempre: “Está tudo bem, você está confortável”, mas o seu corpo vai se sentir mal, vai sentir que não cabe. Você vai olhar pro lado, pra aquela pessoa ao seu lado dormindo, pra sua sala, pra sua TV, pro seu celular, pra qualquer coisa que te deixe alienado e te traga conforto e vai se sentir inadequado. Nada do que você conquistou vai ser suficiente, o seu corpo vai te pedir mais, você vai querer gozar mais e é isso.

O medo era de se entregar, de se jogar, de se permitir viver tudo aquilo. Esse medo te travou por muito tempo até que….

Você viu um vídeo em especifico que serviu de gatilho, você entrou em algum grupo, ou então alguém apareceu na sua frente e te provocou alguma mudança.

Então você começou a sentir que estava na direção certa. Você começou a sentir que o seu relacionamento que era mais ou menos e cheio de problemas vai dar certo. Que a outra pessoa está mudando. E “agora vai”.

Essa direção era melhor que o baunilha de quinta feira, mas ainda assim era insuficiente. Não gozava tanto quanto as fotos e os vídeos que você via, mas era um pouco melhor do que o baunilha. Não tinha chegado lá, no que você queria viver, mas você sentia que era um progresso. Ou ainda até tinha um fetichezinho, a coisa toda dava uma respirada, uma desafogada quando a rotina não tomava toda a atenção e permitia um jogo ou outro.

“Não sou mais baunilha, eu leio, eu estudo, eu participo de grupos, eu já até comprei alguns acessórios.”

Provavelmente você não está ciente, mas você está preso numa armadilha causada pelo seu próprio medo.

Você já viu alguém fazer abdominal? Seu abdômen doeu e você sentiu seus músculos crescendo assim?

A nossa mente, no nosso amago do nosso ser, diz que se você está em um grupo, tem alguns acessórios, ou mesmo um perfil pra viver essa filosofia de vida, você é. Você pratica, você tem resultado e você goza.

Mas será que é mesmo?

Quão confortável você está agora? Quão confortável você está nos grupos que participa? Nas festas e encontros que vai? Nos acessórios que tem?

De 0 a 10? Um 8?

Lembra de quando começou a procurar BDSM e aquilo até doía? Aquela sensação é a sensação de desconforto que te move. Te move pra você aprender. Esse aprendizado te faz gozar mais e melhor.

Mas essa sensação de desconforto é contrária ao que a nossa mente quer. É doloroso pois nos tira o conforto, se nos tira o conforto é inseguro, se é inseguro temos medo.

O seguro e o confortável é não aprender, é não se transformar. É fingir que se transforma.

Lembra quando você era baunilha e não sabia que dava pra ter prazeres diferentes? Se não tivesse aprendido nada novo, ainda estaria lá, confortável e morrendo um dia por vez. Se arrastando do sexo mais ou menos pro banho que lava as impurezas.

A armadilha é de acreditar que esse conforto vai durar pra sempre. O seu corpo vai pedir mais busca, mais entrega, mais desejo, mais aprendizado, mais perversão.

Quer dizer que nunca vai se estar “pronto” e gozar plenamente, completo e realizado? Não, até porque isso tudo é subjetivo. Da mesma forma como o que você entende disso tudo que eu te escrevi. Isso tudo quer dizer que o orgasmo de hoje vai ser melhor do que o orgasmo de ontem e assim sucessivamente.

Porque é um caminho.

A nossa mente, os nossos orgasmos, os nossos desejos, não tem nada que seja original. Nós somos apenas acumulação. Acumulamos os genes dos nossos pais, acumulamos a nossa socialização, acumulamos as nossas experiências e nos tornamos quem somos.

Dá pra se desconstruir? Dá. Dá pra tentar fugir disso tudo, mas também dá pra se construir. Melhorando o que já temos e aprendendo mais.

Afinal, o seu medo da mudança, da transformação, está presente. Você já tentou. Você já fez alguma coisa, você já viveu alguma coisa na direção que acredita ser a melhor pra você, só que foi doloroso em algum momento.

Eu não te prometo que vai ser indolor, eu te digo a verdade, vai doer. Só que dói menos do que tentar ser quem você era antes disso tudo.

Simplesmente não te cabe a vidinha mais ou menos, com pequenos prazeres e pouca alegria.

Você merece mais.

😉

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