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O Seu Fetiche Te Liberta ou Te Aprisiona?

Ares 1

Esta é uma reflexão que tem me pego bastante nos últimos dias.

Talvez pelo afastamento de uma pessoa que eu amava, talvez porque a realidade tem batido forte e me pedido decisões dolorosas.

Eu tento ensinar sobre realização sexual.

Explicando. A ideia é tentar, pois se a pessoa não quer ser ajudada, eu não posso fazer nada. Só assistir, e como tenho assistido. É cada tombo, cada buraco, cada decepção, cada frustração, são acontecimentos ruins ÉPICOS, dos quais não vou negar, meu lado sádico se diverte. As pessoas se fodem muito por não escutarem o que eu digo. Risos.

Pode ser que eu cometa erros nos meus julgamentos? Claro, eu sou passível de erros.

Tirando a parte do Ego, que me diz que estou certo no que faço, e tirando a parte do sádico de querer ver o sofrimento de quem não me escuta.

Eu quero te trazer uma reflexão.

Quando você pensa no seu fetiche, você se sente feliz, ou você se sente angustiado(a)?

Eu conheci uma pessoa tem um tempo. Uma pessoa normal, dessas que trabalha, estuda, é filha de alguém, paga boletos.

Mulher, 20 e poucos anos, tinha o fetiche de levar uns tapas, de ter um nível leve de dor, e de ser amarrada.

Extremamente comum, e tranquilo, com as pessoas certas.

Só que ela namorava.

Ela tinha um bom relacionamento, eles tinham uma química boa, o sexo era gostoso, não era a frequência ideal, podia ser com mais frequência, mas ela não reclamava. Afinal, ele atendia os quesitos de beleza, do que ela acreditava ser companheirismo, e até os quesitos socioeconômicos.

Era um relacionamento OK.

Mas ela tinha esse fetiche.

Ela me atormentou muito até resolver falar com ele.

Pediu até uma consultoria do que falar, como falar e onde falar.

Uma das partes mais relevantes do que eu disse a ela é o seguinte: Se você falar com ele, o que acontece? O que poderia acontecer?

Disse a ela pra listar as principais coisas que ela acredita que poderiam acontecer.

Ela listou os motivos:

1 – Ele pode me chamar de louca, e eu nunca mais ter tesão nele.

2 – Ele pode não falar nada, mas fazer cara de nojo.

3 – Ele pode me achar esquisita.

4 – Ele pode achar que quero apanhar muito.

5 – Ele pode achar que quero apanhar sempre.

6 – Ele pode achar que ele não consegue me dar prazer.

7 – Ele pode perguntar porque eu quero isso.

8 – Ele pode achar que eu estou traindo-o.

9 – Ele pode contar pra outras pessoas.

10 – Ele pode achar que que eu quero bater nele também.

Como ela não viu o lado positivo, afinal ela tinha medo de ser julgada, eu perguntei pra ela: Ele pode topar, tem essa opção também, né?

Ela concordou.

Teve um tempo de amadurecimento da ideia, ela queria ter certeza. Ela queria saber se conseguia controlar esse tesão.

E mais importante, ela sabia que depois de dizer a ele, que ela tinha tesão nas coisas que ela tinha tesão, não poderia voltar atrás. Se mostrar pra ele era definitivo.

A pergunta que ela sempre se fazia, e ela me contou, era: Será que vale a pena arriscar o meu relacionamento por causa de um fetiche?

Depois de um tempo amadurecendo, não lembro se foram semanas ou se deu mais de mês, ela finalmente tomou coragem.

Marcou um jantar na casa dela, e decidiu conversar com ele sobre o assunto.

Havíamos conversado diversas vezes, ela escolheu as palavras, ensaiou o discurso.

“F. Já estamos juntos há algum tempo, a gente tem se visto com frequência, você é ótima companhia e eu sinto que devemos dar um próximo passo, tentar algo novo.”

Foi proposital esse tipo de discurso, a ideia era desarmar, achando que ela pediria ele em casamento.

Ela me relatou o acontecido, falando sobre o medo nos olhos dele. Ele engolindo seco, e assustado, mas sem dizer nada.

Ela continuou:

“Então, eu sinto que nós podemos experimentar algumas coisas no sexo. Incluir mais coisas e experimentar.”

Era pra ele ficar ansioso, sem saber o que esperar, ela se divertia, vendo a confusão nos olhos dele.

Ela então continuou e falou: Eu sinto falta de uns tapas na hora do sexo, e de umas cordas e algemas.

Ele voltou a si. Do inferno, de um casamento o qual não estava preparado. Até do paraíso, na cabeça dele seria um ménage. Ela não queria ménage, ela estava bem com a ideia de um relacionamento monogâmico fechado.

A resposta foi: “é só isso? Devia ter falado logo

Ela se sentiu um pouco aliviada, percebendo que talvez tenha criado uma tempestade em um copo d’água, e que talvez fosse mais simples. Que ela não precisava ter sofrido tudo aquilo pra poder se abrir. Ela se sentiu mais segura, chegou até a pensar “poxa, eu talvez me casaria com ele, ele me entende.”

Ela contou um pouco mais do que queria, devagar, segurando o entusiasmo, entendendo onde pisava, afinal podia custar o relacionamento deles.

E eles tentaram juntos.

Mais ou menos juntos.

Ela tentou.

Ele estava lá, como um boneco de posto, meio desengonçado, achando aquilo difícil.

Ele não levou a sério.

Ela enviou materiais ensinando como bater, ele achava que era instinto.

Ela falou de cordas, ela falou dos riscos, ele achou que daria trabalho, e nem mexeu.

A coisa se desenrolou, e o relacionamento acabou.

Há sempre várias perspectivas. E dá até pra pensar: E se ela tivesse feito diferente? E se ele tivesse feito diferente? E se ela não tivesse esses fetiches?

Mas o fato é que não dá pra mudar quem você e do que você gosta.

Se você não aprende sobre o seu fetiche, não se entende, e não se aceita. Ele te consome.

Dói na alma.

É como se você negasse quem você é.

O SEU Fetiche, faz parte da sua identidade.

Se você nega o seu fetiche, você nega quem você é.

Ela se tornou refém do fetiche não realizado.

Ela se tornou assombrada pelo fetiche que tem.

Parecia que todos os sites mostravam os tapas e mostravam as cordas.

Os depósitos de construção, as casas de produtos rurais, com suas lindas cordas dependuradas, eram um lembrete constante daquilo que não fora realizado ainda.

Quando ela se abriu pro até então namorado, ela se sentiu livre.

Ela não tinha realizado o fetiche, mas tinha se libertado do fardo de esconder sua identidade no relacionamento.

Já pensou nisso?

Se a pessoa com quem você está, não sabe dos seus fetiches, ela não te conhece verdadeiramente?

No momento em que ela se mostrou pra ele, ela correu o risco de ser verdadeira.

A perspectiva do lado dele, ele arrumou um problema.

Ele tinha uma namorada que não se mostrava completamente, portanto ele não precisava se dedicar tanto.

Ela se abriu e se mostrou. Correu o risco.

Ele não tinha mais como “desver”, ele não tinha mais como ficar neutro. Aquela informação, aquele desejo pulsante estava dando tapas na cara dele e chamando pra realidade, chamando na Chincha.

Quando ela abriu o fetiche pra ele, ela colocou ele contra a parede.

“Você é bom o suficiente pra dar conta de mim como sou, ou você é só mais um que vai levar um pé na bunda eventualmente?”

Essa pergunta nós ignoramos diariamente, quando valorizamos coisas que não precisamos valorizar.

Você valoriza um corpo bonito? Atributos Fisicos? Um diploma? Um carro? Bens materiais? Se parece ser um bom pai? Se é uma pessoa espiritualizada?

Se voce valorize qualquer dessas coisas, seja sincero(a), e aceite isso. Não há nada errado em querer uma bunda grande, mas essa bunda grande vem acompanha de uma pessoa que te entende e te vê como você é?

Se não te vê como você é, você está SE iludindo, e iludindo outra pessoa, gastando o seu tempo e o dela. Isso se chama imaturidade.

Amor é um privilégio de pessoas maduras.

E se você for superficial, de forma a esconder quem você é, você nunca terá amor, no máximo paixonites e relacionamentos fadados ao fracasso.

Esse texto sou eu te chamando na Xinxa. Você vai fazer o que a partir de agora?

Atenciosamente, com todo o meu carinho, o meu amor, e o meu sadismo,

Ares, O Deus da Guerra Sangrenta.

  1. Maiko Maiko

    Consegui ler o texto e achei muito, tanto o texto como o video no Insta.
    Sou praticante de BDSM e como submissa ainda estou na Vibe apenas de obedecer e aceitar o que me derem, mas seus posts estão me ajudando a rever alguna dos conceitos que tenho sobre mim como submissa. Parabéns pelo texto, acredito que vc esteja ajudando muitas pessoas a pelo menos refletirem sobre si e seus fetiches.

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