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Ausência de técnica, Ausência de transformação

Ares 1

Eu acho que você nunca se perguntou quais as reais mudanças que o BDSM traz a vida das pessoas. Ou ainda quais as reais transformações que o BDSM traria a sua vida em especial.

Talvez você nunca tenha se perguntado pois nunca tenha vivido essas mudanças e transformações, ou porque nunca tenha se preocupado com isso, nunca tenha tido atenção pra observar isso.

Mas que transforma, isso transforma, pra caralho.

Provavelmente você não tenha noção dessas transformações, afinal de contas você nunca viveu isso completamente, só tem ideia, só viu através de um filme pornô.

Não acredita? Deixa eu dar um exemplo.

Imagine sua última compra, pode ter sido uma peça de roupa, pode ter sido chinelos, um carro talvez. Pra facilitar o exemplo, imagine que você vá comprar uma camiseta, dessas que deixam os braços de fora. Você pensa na cor que mais gosta, vai até uma loja, olha, escolhe. Comprando ou não, só de você querer uma camiseta, você percebe quantas pessoas usam camiseta, quantas pessoas ficam com os braços de fora.

Isso quer dizer alguma coisa especial? Sim, que por você não dar atenção a esse tipo de roupa, parecia que ninguém usava. Agora que você tem atenção nesse tipo de roupa, parece que todo mundo usa.

Pode parecer um exemplo bobo, já que estamos no verão? Sim, mas você sabia que estamos no verão? Provavelmente você vai começara reparar que os dias estão mais quentes, e isso também é atenção.

Entende como a coisa toda funciona? Camisetas, verão, e tudo mais que possa ter te despertado atenção.

Se você não tem atenção pra aquilo na sua vida, aquilo não existe.

Eu estou recebendo pessoas no meio BDSM o tempo todo, e ensinar as técnicas certas do BDSM, além de mostrar quais as transformações que acontecem por meio da técnica do BDSM faz parte do meu trabalho. Também faz parte “medir” essas transformações, e medir o tempo que elas levam.

Se eu ensinar alguma coisa, num vídeo, num curso, ou mesmo uma frase de efeito, e aquilo não mudar nada na vida da pessoa, talvez eu não esteja fazendo meu trabalho direito, ou talvez a pessoa não esteja aberta a isso. Como eu já tenho mais de 50 alunos e já recebi depoimentos sobre as técnicas que ensino, eu costumo acreditar que as pessoas não estão tão abertas.

Bom, existe uma principal transformação no BDSM que é autoconfiança. Há outras, mas o foco hoje é autoconfiança.

Autoconfiança é, nada mais, nada menos, do que confiar em si mesmo(a).

Você confia que você consegue, que consegue dar prazer, que consegue ter prazer, que consegue dominar ou se submeter. Que você consegue jogar os jogos pervertidos que vem do seu desejo através da técnica do BDSM.

Só que existem 2 tipos de autoconfiança, a boa e a ruim.

A Ruim vem através do Ego. A boa vem através de técnica e autoconhecimento.

Eu conheci há um tempo um “dominador”. Foi através do Facebook. A conversa começou assim: “Rainha X me indicou você, e eu quero saber como você pode me ajudar?”

Parei, e fiz como sempre faço “Oi, boa tarde, tudo bem? Como posso te ajudar?”

“Meu nome é Dom Y, eu sou amigo de Rainha X, ela me disse que você ensina bdsm, ela me falou que eu deveria te procurar pra aprender mais e que você poderia me ajudar.”

Eu respondi que trabalho com BDSM, com tantra, e que ensino sim pessoas. Perguntei a ele como eu poderia ajuda-lo, já que ele veio me procurar. Alguma coisa em mente ele devia ter. Pedi também que me falasse dele.

Ele falou que era amigo da Rainha X há um tempo, que ela tinha apresentado o BDSM a ele. Falou que tinha 6 meses de experiencia com BDSM, que estava lendo, estudando. Já tinha tido submissas, já tinha dominado. Já tinha comprado acessórios, e estava conversando com algumas pessoas. Depois devolveu a pergunta de novo, perguntando como eu podia ajuda-lo.

Do outro lado, na outra janela do Messenger, a amiga, Rainha X, desesperada.

“Conversa com ele Ares, ele tem menos de 6 meses de BDSM e já acha que sabe dominar, dá tarefas descabidas, e exige muito de qualquer mulher. Acha que sabe, mas não sabe. Vende um curso seu pra ele”.

Isso vindo da Rainha X, que eu desconfiava não ter muita informação, não ter muita técnica BDSM. Ou seja, a Rainha X, que sabia pouco, e achava que sabia, estava preocupada com o Dom Y, que sabia menos ainda e achava que sabia.

Os dois perdidos e querendo me puxar pra essa confusão.

Eu perguntei ao Dom Y:

“Onde você tem pesquisado?

Quais são suas fontes de estudo?

Você tem submissa? Algum relacionamento?

Está conversando com alguma pessoa?

Essa conversa está fluindo pra alguma experiencia real?

Voce sabe fazer spanking?

Como foi sua última sessão?

Quais os planos para a próxima sessão?

O que você tem vontade de fazer e ainda não fez?”

(Eu não costumo fazer essas perguntas, acho péssimo, falta de educação, no mínimo desagradável. Todo esse “interrogatório” traz consciência e isso é bem desagradável para quem não quer ver. Se ele está feliz, ótimo, que siga assim. Se ele pediu ajuda, ele está infeliz, logo vale a pena expor a incompetência dele).

A principal fonte de informação eram “sites e blogs”, não era especifico. A Rainha X estava tirando dúvidas também. Não tinha submissa. Não tinha um relacionamento. Conversava com algumas pessoas. Ignorou a pergunta se está indo pro real. Claro que sabia fazer spanking. A ultima sessão foi sexo com palmadas. Não tinha planos pra próxima sessão. Tinha vontade de Dominar verdadeiramente, e deixar a submissa totalmente entregue.

Eu não vou colocar a analise completa que fiz da conversa como um todo, nem tudo o que ele falou na integra. Sim, eu analiso as conversas, eu trabalho com isso. Mas a minha resposta foi:

“Nobre, normalmente quando eu ajudo alguém, trabalho através de consultoria pra resolver algum problema especifico, alguma técnica especifica ou mesmo aconselhamento de alguma situação. Quando eu sinto que a pessoa não sabe nem o básico, ofereço a ela um curso, que ensina do básico, que tapa todos os buracos de um aprendizado confuso, e que transforma as primeiras experiencias em reais. As vezes as pessoas não sabem nem o mínimo pra ter dúvidas. Cursos e consultoria, cada um tem seu preço.

Já que você tem 6 meses de experiencia, que já leu, já estudou, já teve sessão. Está conversando com algumas pessoas. Tem a Rainha X que está te tirando algumas dúvidas. Não sei se consigo te ajudar.

Talvez o curso pra voltar ao básico e te levar até um nível intermediário. Se pegar do básico pode ser que tape todos os buracos e as duvidas, ou que surjam duvidas.

Mas como você já tem experiencia, talvez você considere perda de tempo.

Pensa aí, o curso custa tanto, o link está aqui.”

Porque que eu falei tudo isso?

Quando a gente acha que sabe, mas não tem resultado, nós somos absolutamente incompetentes.

Nossos resultados podem ser medidos principalmente na quantidade de sessões que temos, na qualidade das nossas relações, e na qualidade das nossas conversas. Independente se você tem 1 pessoa na sua vida ou várias, com coleira ou não.

No caso dele, ele se achava um ótimo dominador, que era desejado, e que tinha conhecimento mais do que o suficiente.

Na minha analise, eu via alguém sem resultado. Nem fazia juízo dele ser bom ou ruim como dominador, não fazia diferença, ele não tinha sessões e relações.

Era alguém que se baseava no ego.

A autoconfiança dele, que dizia que sabia o que estava fazendo, vinha do ego.

Ele acreditava piamente no que estava fazendo, pois o ego dele dizia pra ele fazer isso. Só que esse mesmo ego, que dizia pra ele ser autoconfiante, isolava ele.

Pensa comigo.

Você tem seu nível de conhecimento, tem suas conversas virtuais, tem suas submissas virtuais, e sua punhetinha sagrada diária.

Qualquer pessoa que te mostre uma foto de sessão te incomoda. Qualquer pessoa que mostre uma foto de shibari te incomoda. Qualquer pessoa que tenha um relacionamento te incomoda. Qualquer conversa que exponha o quão miserável você é, te incomoda.

Dói no ego.

E aí você vai pra longe, vai pra pornografia, que é feita por pessoas desconhecidas e é irreal. Sendo irreal não te incomoda.

Portanto em vez de se trabalhar, de melhorar, você se isola. Se você não tem contato com ninguém “melhor” do que você, você pode ficar confortável fazendo as mesmas coisas.

“manda foto de agora.” “olha o meu pinto” “coloca um plug” “se masturba na cam”.

Dá trabalho sair desse ciclo, e isso só é possível através da técnica. Só que mesmo essa técnica, precisa que você se abra e que volte ao básico e que aprenda a técnica novamente.

Quando nós temos a técnica, os resultados vêm. Se não temos os resultados, nós voltamos a técnica.

A forma boa de ter autoconfiança é sabendo a técnica. A Técnica traz autoconhecimento.

Quando a gente sabe a técnica, e estamos confiantes com ela, nós não falamos “isso está certo” e “isso está errado”.

Nós perguntamos “por que”.

Nós falamos “você já tentou isso?”

Mas mesmo assim, nós só falamos pra quem quer ouvir.

Entre gastar energia realizando seus fetiches, e gastar energia falando pra quem não quer ouvir, fica fácil escolher. Mesmo assim a gente se perde nisso as vezes e entra em discussões descabidas, em grupos que não deveríamos estar lá.

Agora que você sabe que BDSM traz autoconfiança.

Sua autoconfiança está ligada ao seu ego e você não se relaciona, acompanha, segue, ninguém melhor que você?

Ou

Sua autoconfiança vem da técnica?

Qualquer resposta saudável diria dos dois, do ego e da técnica. Portanto pediria constantemente pra se permitir aprender de novo, e aprender sempre.

  1. Marinha Marinha

    Perfeita a colocação feita no texto sobre as transformações adquiridas através do BDSM.

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