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Não dá pra desver

Ares 0

Recentemente em uma conversa, a pessoa era novata e estava expondo seus medos relacionados ao BDSM.

 

Era mais ou menos assim:

“Ares, eu estou com medo de praticar BDSM, se eu começar a praticar, eu vou ter que fazer isso pra sempre? Eu vou conseguir ter relações “normais”? Eu gosto de algumas práticas, mas não é sempre.

As vezes o sexo fica sem graça, mas normalmente é bom, só queria apimentar as coisas.”

 

Foi aí que me dei conta, pratico a tanto tempo, gosto tanto da filosofia, que não consigo me imaginar sem. Não consigo me imaginar em uma relação que não tenha BDSM.

Mas também não sou o tipo de pessoa que acha que qualquer brincadeira entre duas pessoas tem que ter um dominando e o outro se submetendo, pode ser só um jogo erótico sem Dominação e submissão.

 

Normalmente você tem 3 tipos de pessoas:

– Pessoas que vivem o BDSM, que não conseguem se relacionar quem não seja BDSM, e que mesmo a “rapidinha” acaba sendo com elementos BDSM. Têm sua liturgia arraigada e não conseguem abrir mão dela.

– Pessoas que vivem o BDSM, que quando entram numa relação Dominante e submisso(a) aplicam sua própria liturgia, e conseguem aproveitar tantos momentos BDSM, quanto momentos baunilha.

– Pessoas que não gostam de BDSM (Baunilhas).

 

Não tem certo ou errado, apenas opção. Eu sou do segundo tipo, vivo procurando equilibrar a vida baunilha e BDSM.

 

A maioria das pessoas, tem medo de depender apenas de BDSM para ter prazer. De ter que apanhar sempre, de ter que bater sempre, de ter que ser amarrado(a) sempre, de ter que amarrar sempre, etc.

E isso é meio errôneo, é quase como se depois de tomar sorvete de morango, você só pudesse tomar sorvete de morango o resto da sua vida.

O exemplo do sorvete é ótimo. Tem 10 sabores, você tem um preferido, quer dizer que vc come mais daquele sorvete, mas também come dos outros sorvetes, entende? A única diferença, a questão da preferência, faz com que você coma mais do que vc gosta, e menos, ou nada, dos que vc não gosta.

 

 

O outro medo das pessoas, é ficar dependente de práticas para se excitar. Normalmente práticas associadas a dor, bater ou apanhar.

Isso não costuma acontecer.

 

A dor relacionada ao BDSM é uma Dor com proposta erótica, não é qualquer dor, não é dor de cabeça por exemplo. E a graça da coisa é manter essa dor num estagio que a pessoa suporte, ela encare como um estimulo físico, não como algo que realmente machuque, e sinta prazer.

Nós nos acostumamos a coisas boas, nos acostumamos a sentir prazer, nos acostumamos a fazer o que nos dá prazer.

 

Então imagine que você almoça todo dia num restaurante comum, fica perto do trabalho, é mais barato, e tem algumas outras vantagens, então, um dia você descobre um outro restaurante, que tem um pouco menos de vantagens, mas que te satisfaz mais, te dá mais prazer de comer lá. Você se convence que vale a pena almoçar lá, fazer algum sacrifício, trocar alguma coisa, as vezes pagar mais, as vezes andar mais, e se acostuma com aquele prazer.

 

Ter medo é normal, inclusive, ter medo é sadio.

Você só se previne, só se cuida, por ter medo de alguma consequência.

 

Mas a grande diferença entre quem “depende” de BDSM pra ser feliz e quem vive feliz dentro e fora do BDSM, é a qualidade das relações dentro e fora do BDSM.

O que as pessoas não percebem, é que o BDSM não te deixa dependente dele, o BDSM aumenta seus requisitos mínimos.

 

Então você tende a procurar relações melhores.

 

Se antes, você se contentava com uma pessoa que gozava e te deixava pensando “ué, mas já acabou, e eu?”. Depois de conhecer a proposta de praticar BDSM, você não aceita mais.

 

Se antes, você se contentava com uma relação em que a outra pessoa era omissa, displicente e mentia, no BDSM, com a proposta de SSC, responsabilidade com o parceiro e responsabilidade emocional, você não aceita mais.

 

Se antes, era só tirar a roupa, ter penetração e cada um pro seu lado, isso não vai funcionar mais.

Isso e muitas outras coisas, que as vezes eram comuns, que faziam parte do seu relacionamento, pois era o que você conhecia, mudam e perdem significado. Outras coisas aparecem e você percebe que não tinha que ser daquele jeito, que pode ser melhor.

 

Tudo isso é uma proposta de autoconhecimento, de realização pessoal, que é o objetivo desse blog.

 

Se você está aqui, se você está pesquisando sobre BDSM, vendo coisas sobre BDSM, você já olhou por cima do muro, e já viu que existe muito mais do que o sexo convencional, e agora não dá pra desver.

 

Ou segue em frente, aprende o que vc precisa pra se realizar, ou se torna mais uma pessoa frustrada, presa a uma vida que não é o que você queria.

 

Adendo: Adicionei recentemente essa pagina ao blog: Fale Comigo (Ask)

A ideia é que você enquanto curioso ou praticante experiente, possa falar comigo, me mandar mensagens, tirar duvidas, reclamar, etc.

Eu adoro saber o que as pessoas pensam sobre o trabalho que realizo.

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