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Será que é SW mesmo?

Ares 4

Tem algum tempo que vejo novos “Switchers” chegando ao meio BDSM.

Normalmente eles não sabem bem o que é ser SW, eles só sabem que são. Mesmo alguns praticantes um pouco mais antigos acabam migrando de um papel polarizado para o papel de Switcher.

 

Mas você sabe o que é um Switcher?

 

Switcher é aquele que se flexiona para exercer o outro lado.

“Ah, mas eu gosto dos dois lados”

 

Gostar é diferente de flexionar. Você pode gostar de muitas coisas, muitas mesmo, mas você tem um papel que é mais predominante. Ou vc é Dominante e se flexiona para se submeter por algumas circunstancias ou você é submisso e se flexiona para Dominar em algumas circunstancias. Mas todo mundo tem um lado o qual se identifica mais, ninguém é 50% sub e 50% Dominante. Normalmente é 60/40 ou 80/20.

 

Normalmente, o SW tem um papel que é mais forte, e é o que ele se envolve em relações, e outro papel que aparece em determinadas circunstancias, por isso que eu digo “flexionar” e não “gostar”. Além de que o SW não muda o seu papel no meio da brincadeira.

 

“Cansei de me submeter, vamos trocar!”. Não rola.

 

Switcher é aquele que sabe o que quer, tem um papel que se identifica mais, mas ele se flexiona por algumas práticas ou algumas pessoas. É diferente daquele que “gosta dos dois lados”, até porque, quem costuma usar esse “gosto dos dois lados”, não tem muita informação para entender quais são os próprios gatilhos, o que faz ele querer se flexionar. E quem costuma usar “gosto dos dois lados”, costuma ter medo de se assumir submisso. Aí a pessoa pensa “eu vou colocar que sou SW, porque posso demonstrar uma certa resistência e dificultar para Dominantes fracos”.

 

E isso é um tiro pela culatra.

 

Se você se posiciona como SW, e não como submisso ou como Dominante, você acha que vai ter duas vezes mais chances de encontrar alguém, só que você não é especifico, e acaba assustando alguns submissos e alguns Dominantes.

Já ouvi em conversas com Dominantes que se você tem um SW, ele é mais difícil de lidar, e ele vai querer ter um submisso, e dessa forma você não consegue domina-lo direito, ou mesmo impor certas privações, já que isso influenciaria um terceiro, que seria o submisso do SW.

 

Já ouvi de submissos que se você tem um Dominante SW, ele vai arrumar algum Dono(a) que vai atrapalhar a relação de vocês.

Se assumir SW funciona muitissimo bem com outro SW, mas eventualmente ele vai ter seu papel Dominante, então parcimônia.

 

Eventualmente você falar “eu sou Dominante e gosto de certas práticas atribuídas ao submisso”, ou “eu sou submisso e gosto de certas práticas atribuídas à Dominantes” é MUITO melhor do que se assumir “simplesmente” SW.

 

“Tá, mas eu gosto das duas coisas.”

Um ultimo argumento, e se você quiser continuar com “gosto das duas coisas”, prometo que paro por hoje. Rsrsrs

 

Será que não é voyeurismo?

 

Sabe o que é um Voyeur?

Voyeur é aquele que experimenta prazer sexual em observar pessoas praticando sexo, ou nuas. No contexto BDSM é também aquele que fica de expectador a uma cena.

Voyeur também é aquele que consegue se imaginar no lugar dos que estão praticando, e não consegue por uma limitação pessoal, física ou moral, tornar isso real.

 

Então acredito que para alguns, o que tem acontecido é que eles tem dificuldade de encontrar um parceiro, e por isso mudam de lado ou se posicionam como SW.

É bem típico. Um submisso que não tem vocação nenhuma para Dominar, não encontra um Dominador que realmente o satisfaça, que consiga jogar com ele, se cansa de procurar e se posiciona como Dominante, pois assim ele pode viver as experiências que gostaria para si, mesmo que seja viver isso aplicando no outro.

 

Interessante, né?

 

Esse tipo, você corre, uma Dominação fraca, normalmente denota uma pessoa frustrada e que não sabe o que quer, da mesma forma que uma submissão fraca também é sinônimo de indecisão e frustração.

 

Pode ser SW? Pode!

Pode “gostar das duas coisas”? Pode também!

Pode “não gostar de nada? Pode, claro!

 

Ser SW é antes de mais nada saber como se posicionar nesse meio, é saber o que quer e o que não quer. É se conhecer antes de tudo.

 

O que não pode é arrastar outra pessoa para a sua indecisão, para algo que alguém disse que combinava com você, e diante da dificuldade de achar um parceiro decente você decide arriscar.

As vezes você pode perder pessoas excepcionais, experiencias excepcionais pelo fato de não se conhecer o suficiente.

  1. Pedro Alcântara Pedro Alcântara

    Muito interessante esse texto! Eu concordo. Algumas vezes já pensei que fosse SW, mas tenho um lado mais submisso – e que é difícil de aceitar e acertar às vezes – mas com interesse, nalguns contextos e com algumas pessoas, de dominar. Como o BDSM está ficando “mais conhecido”, muita gente vem se dizendo SW para “aproveitar geral” e não se envolver. Vejo também uma onda de dominadores e dominadoras, que não entendem nada do papel de dominação, e que fazem isso para obter um prazer sexual “fácil” ou grana. Por isso entender melhor é precioso. Obrigado.

    • Ares Ares

      Eu acho que a maioria dessas pessoas que nao tem noção do que é BDSM, precisam de mais informação. É bom pra todo mundo quando se torna mais leve e se pode praticar, mas as pessoas acabam vindo pelas razões erradas.
      Querer ganhar dinheiro não é bom, nem ruim, é uma escolha pessoal, mas impor isso ao outro é ruim.

  2. Jimmy Jimmy

    Ser um SW é MUITO complicado na realidade, o problema no caso é seu parceiro, será que ele quer? Será que ele é realmente é também um SW ou só entra no jogo pra te agradar?

    Tenho um perfil, mas tenho curiosidade no outro, mas o fato de saber qual o predominante é muito bom e muito saudável, e mesmo assim é difícil quando quero exercer minha curiosidade no perfil oposto, é aí que penso, se assim é difícil, imagina com um SW?

    • Ares Ares

      Ser SW é bem complicado!

      Mas experimentar não faz mal a ninguem, vc pode conversar e ver no que dá. Eu acredito que todo mundo tem um pouco de SW, acredito que é inerente a condição humana. Mesmo que você não tenha tesão nenhum em ser sádico, ou masoquista.

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