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O meio BDSM Brasileiro

Ares 0

Não sei se já falei isso, mas eu trabalho com BDSM.

 

Dentre outras coisas, eu promovo encontros, festas e eventos, além de ajudar algumas pessoas tanto a se encontrar neste meio, quanto a realizar o que quer que seja. E tudo acaba sendo muito interessante, pois me propicia muitas experiências riquíssimas, e a oportunidade de fazer amigos, conhecer pessoas, etc.

 

Por promover eventos, acaba que você conhece outras pessoas que se destacam pelas coisas boas que fazem, além de se tornar conhecido, e isso abre portas.

 

Recentemente, tive a oportunidade de ir a Vitória no estado do Espirito Santo. Recebi um convite de amigos e fui.

 

Já havia ido a Vitória, a uns anos tive uma namorada/sub que se mudou pra lá, ia com certa frequência vê-la.

 

Vitória é a capital do Espirito Santo, e a maior parte do município está localizado em uma Ilha. Tem uma população de cerca de 360 mil pessoas e tem uma região metropolitana que se integra a cidade, bastando atravessar algumas pontes somente. Uma das coisas que mais me chamam a atenção, e sempre impressionam, são os portos, eles se integram a cidade. Seguindo por algumas ruas você vê estruturas metálicas gigantescas, com navios, e outras ilhas é magnifico. Recomendo ver pessoalmente.

essa foto veio daqui: https://flordepimentablog.wordpress.com/2015/01/02/turistando-centro-de-vitoria/

 

Bom, eu fui por amigos vinculados ao BDSM, então mesmo que tivesse feito programas mais tranquilos como conhecer o centro, mercados e a noite baunilha, teve BDSM.

 

Cheguei na quinta. Na quinta mesmo, a noite teve uma festa que foi organizada pelo Dom Titereiro. A Rainha Frigg foi toda montada, botas, catsuit, corset, tudo muito bonito. O espaço era bem interessante, uma área espaçosa, com sofás e até vigas expostas que o Lord Submissor usou para fazer suspensão por cordas de uma submissa. A casa internamente, tinha áreas de convivência, um bar e um espaço com mobília BDSM, um X, uma maca, velas e mais alguns apetrechos BDSM. O segundo andar eram quartos com suíte.

 

O evento decorreu bem, houveram muitas cenas, e as pessoas de um modo geral pareceram bem receptivas. Que eu vi foram Spanking, Velas, Controle de Orgasmos, a Cama de Vácuo (que levei), Shibari, Suspensão por cordas, roupas fetichistas, botas, coleiras, corset, etc. (teve mais coisa, mas o que me lembro é isso) rs.

 

Na sexta feira, fomos passear na praia, almoçar, café em shopping, bem tranquilinho.

 

Mais a tarde fui conhecer o estúdio do meu amigo Lord Submissor, achei sensacional, chegando ao prédio você não leva muita fé no que aquelas paredes escondem, mas elas escondem muita coisa…

 

É um espaço que na minha opinião, tem o tamanho certo. Quando se entra, pelo chão se vê tapetes vermelhos, ao lado esquerdo uma jaula preta, um cavalete de madeira que acredito ser usado tanto para spanking quanto outras coisas. Nas laterais direita e esquerda sofás, ao fundo da sala um trono vermelho, como o próprio anfitrião gosta de ressaltar, todo costurado a mão e feito de madeira de lei, uma antiguidade que se valeu como mimo no espaço em que ele reina. Ainda ao fundo do lado esquerdo o X em madeira e do lado direito um pequeno baú com acessórios.

O ambiente é de muito bom gosto, limpo e organizado, acredito que limpo e organizado sejam méritos de suas escravas que são sempre presentes e prestativas.

 

Dentro deste estúdio aconteceu muita coisa, mas não acho que venha ao caso contar. 😉

 

Pra encurtar a história, fiquei mais alguns dias e voltei pra BH.

 

Com essa viagem pude fazer diversas reflexões interessantes.

 

O meio BDSM no Brasil realmente carece de mais iniciativas que fomentem um movimento mais coeso. Quando comecei a alguns anos, São Paulo reunia mais praticantes, tinha-se locais como referência, e as pessoas viajavam pra poder ver e viver suas experiências. Hoje a coisa mudou um pouco, é muito mais fácil encontrar praticantes localmente e dessa forma fazer as coisas acontecerem.

A facilidade é tanta, que pra organizar munchs (que são pequenos encontros para se conversar, à paisana), é fazer um flyer, escolher um lugar e estar disposto a conversar com as pessoas. Há inclusive diversos grupos de whatsapp voltados para BDSM em que as pessoas combinam encontros e pequenas reuniões.

Posteriormente como um caminho natural, com reuniões frequentes, surgem-se festas e eventos maiores, mais trabalhosos e mais refinados. Festas BDSM não dão lucro no início, normalmente se tem mais trabalho do que lucro, eventualmente dá até prejuízo, o que tem como ser evitado. Mas Festas BDSM dão satisfação pessoal. É bom organizar algo, ver a adesão das pessoas e eventualmente até ser elogiado.

 

E aí tem uma coisa interessante sobre isso tudo.

 

A mesma facilidade que propicia as coisas acontecerem, também acovarda a maioria das pessoas. O evento em Vitória, por mais que fosse novidade, que houvessem muitos praticantes experientes, fosse em um local seguro, e outras coisas que dão segurança, também teve a ausência de praticantes que se acovardaram. É importante deixar claro, não é necessário “coragem” no sentido de ter que enfrentar alguma situação ruim, ou alguma situação perigosa, é necessário coragem simplesmente por se aventurar em algo novo, e eventualmente ir sozinho.

 

Ir sozinho é bom, você se abre para conhecer pessoas, e conhecendo pessoas, você vive experiências.

 

Mesmo em BH que tem um pouco mais de tradição do que Vitória, tem 4 anos que faço eventos, ainda passo por isso, são pessoas que entram em contato, conversam, tiram dúvidas e na hora H, elas desistem de ir, e decidem continuar como estão, virtuais olhando pela janela o parque de diversões, imaginando como são as sensações sem nunca sentir.

 

Ah, mas pra viver BDSM eu tenho que ir em festas BDSM?

Não necessariamente, você pode muito bem conhecer alguém em situações “normais”, conversar, e ter química o suficiente para se aventurar com BDSM, sem nunca ter ido a um evento. Há inúmeros praticantes que fazem muitas coisas interessantes, em todas as cidades do Brasil, muitos deles simplesmente não gostam de eventos, ou tem suas próprias razões para não “aparecer”. Eles escolheram isso, ficar alheios ao meio BDSM, por quaisquer razões que sejam.

Ficar alheio ao meio BDSM por opção, é diferente de ficar olhando o meio BDSM pela janela, querer e não tomar iniciativa.

 

Ah, mas na minha cidade nunca tem nada…

 

Se é importante para você, que tenha, por que não faz?

É simples, você precisa saber se posicionar, ser carismático com as pessoas, e fazer. Escolhe um dia mais tranquilo, à tardinha, inicio de noite, marque em um shopping, convide as pessoas para conversar e veja como as coisas acontecem.

 

Já vi, e já pude ajudar pessoas de cidades tipicamente universitárias, como Mariana e Viçosa, a promover pequenos encontros, extremamente ricos em troca de experiências. Da mesma forma que já pude ajudar pessoas de cidades menores como Pará de Minas e Lagoa Santa. Não tem nada demais, é só fazer.

 

O meio BDSM nacional carece de boas iniciativas e pessoas com boa vontade. Se quer mesmo fazer a coisa funcionar, esqueça criar e administrar grupos de whatsapp e facebook, isso não funciona mais à anos. Junte-se a pessoas que você confia, faça viagens quando for necessário, encontre praticantes locais e peça ajuda aos mais experientes.

 

Observação importante: Mesmo que te traga satisfação pessoal, esse movimento no sentido de ter o meio BDSM que você almeja, não pode te dar prejuízo. Principalmente se esse valor for fazer falta no seu orçamento. Então você tem que cobrar pelo que faz, sem pretensão de ficar rico, mas cobrindo os seus custos e ainda sobrando um pouco.

 

Munch normalmente não se cobra, você marca em um bar ou shopping e quem quiser consumir consome, são tipos de evento mais baratos.

 

Ah, adendo: “Eu quero fazer uma festa! Me ajuda? Me passa sua lista de contatos? Me passa o contato do local que vc usa? Arruma um local pra mim? Faz o flyer? Me empresta sua mobília BDSM? Divulga pra mim? Etc.”

 

Não né… Você pode pedir ajuda sempre, mas não pode pedir que façam por você. Muito menos pedir informações como lista de contatos, afinal, se os contatos confiam em mim para me passar número de whatsapp e email, eu tenho que honrar essa confiança e manter sigilo.

 

Bom, Recife tem muita coisa acontecendo, principalmente com o Brenno Furrier e a Marquesa Nina, Fortaleza conheço algumas pessoas e sei que tem alguns encontros. Vitória tem o Lord Submissor, a Rainha Frigg e o Titereiro. Haviam outras cidades pelo Brasil com encontros regulares de BDSM, basta dar uma procurada.

 

Acho que é isso, se ficou faltando algo respondo nos comentários ou no e-mail: dom_ares_bh@hotmail.com

 

Ah, deixo tambem o site dos eventos que faço em BH: www.bdsmbh.com.br

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