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O BDSM como estilo de vida

Ares 1

Você já pensou em como seria o BDSM como um estilo de vida? Ou mesmo um estilo de vida Kinky?

Quando as pessoas dizem realmente viver o BDSM, o que vem a sua mente?

São quase 10 anos e eu já vi muita coisa.

 

O significado de viver o estilo de vida muda muito de relação para relação, e até de pessoa para pessoa.

Imagine um submisso(a), ele tem lá seus fetiches, e um deles é mulheres dominantes usando saias de couro. Parece meio complicado em alguns lugares do Brasil, mas em outros é extremamente fácil de se ver. Ele conhece uma pessoa e à presenteia com uma saia de couro, dizendo ou não se tratar de fetiche. Ele vai sempre poder viver aquele fetiche quando a outra pessoa se sentir confortável de usar a saia de couro.

É simples e é uma forma dele se realizar e viver sua fantasia.

Agora do lado Dominante, ele tem seus fetiches e um deles é o de forçar seu parceiro(a) a não usar roupa de baixo (lingerie, calcinha, cueca, etc.). Se seu parceiro é do sexo feminino, ele pede um vestido ou saia sem a calcinha, justifica pelos motivos que quer e em um determinado local até brinca com isso. Se é do sexo masculino, ele passa a mão por cima do que ele está vestindo e joga com isso. Ele vive o fetiche da forma que pode.

 

Mais um exemplo, látex, muita gente simplesmente não tem onde usar látex, é MUITO BOM usar látex em um evento ou festa fetichista, mas em alguns lugares do Brasil as oportunidades são poucas. Uma das formas que vi algumas pessoas utilizarem para realizar este fetiche foi o de ter as roupas, e usa-las sob outras roupas no cotidiano, vai a padaria, veste uma legging por baixo da calça jeans, vestir uma lingerie sob uma roupa casual, etc.

 

Isso tudo são formas de realizar pequenos fetiches no dia a dia, e não dependem de muitas coisas, somente de criatividade.

Viver um estilo de vida Kinky, é colocar seus fetiches, como pequenos mimos entre os afazeres do dia a dia.

 

Quando você encara por exemplo shibari, que é super comum em BDSM, de forma isolada, por exemplo, uma amarração sob as roupas, é um fetiche.

Quando um submisso recebe um shibari, ou faz em si mesmo por ordem de um Dominante, isso é BDSM.

 

Na prática ambos são cordas, amarrações, nós, etc., mas na essência um é feito como fetiche, outro como parte no jogo da Dominação e submissão.

 

Portanto, estilo de vida Kinky é pequenos fetiches. Estilo de vida BDSM é relação D/s ou pelo menos um parceiro (Play Partner).

 

Estilo de vida BDSM é um pouco mais complicado, mas é bom também.

 

Muitas das pessoas que conheci e que diziam que vivenciavam o estilo de vida BDSM por si, não tinham a menor noção do que é isso. Muitos ainda não tem, e eventualmente nunca saberão como pode ser prazeroso e trabalhoso.

Se uma pessoa é daquelas que permanece online, sem nunca ou quase nunca ir pro real, lidando com virtuais, chamando de “nobre”, “colega”, ou ainda exigindo das submissas dos outros qualquer coisa, muito provavelmente ele não tem a menor ideia do que é uma D/s, ou mesmo o estilo de vida.

É bom deixar isso bem claro: o estilo de vida BDSM não acontece virtualmente. O estilo de vida BDSM acontece na relação, independente do molde. Quando duas ou mais pessoas interagem, de forma a realizar seus fetiches e necessidades, através da Dominação e submissão, é quando o estilo de vida acontece.

 

Esse estilo de vida, funciona como os fetiches, você não deixa de ser baunilha para virar BDSM puro, você encaixa o BDSM onde dá, na forma que for, e no tempo que for.

 

Inclusive, há pessoas que dizem viver em relações 24/7, e eu acredito mesmo que seja possível. Exceto que não é como a maioria imagina. O Dominante pode ser Dominante 24 horas por dia, o submisso pode ser submisso 24 horas por dia, mas dentro da relação. Fora dela eles são baunilhas.

 

Esse é um dos erros mais grotescos quando se diz “viver o estilo de vida BDSM”: Não respeitar o equilíbrio.

 

BDSM é prazeroso, bom pra caralho, ter um submisso que cumpra o que vc manda é sensacional, e é por isso que tem que ser vigiado, se você negligenciar a sua vida baunilha, as consequências vem e atrapalham a viver o estilo de vida BDSM.

 

Tente não respeitar os espaços familiares, o trabalho, os amigos, as leis baunilhas, qualquer desequilíbrio nesse mundo baunilha pode dar merda.

 

Como você faz para viver este estilo de forma São, Segura e Consensual?

 

Além do equilíbrio, vêm a necessidade de conhecer o seu parceiro.

 

Para que um submisso possa experimentar a experiência do estilo de vida, necessariamente o Dominante tem que proporcionar, entrando no meio da rotina dele lembrando-o de seu papel como submisso, além das sessões, claro.

Isso pode ser feito de várias formas: restrições de uso de roupa, obrigatoriedade de uso de outras roupas ou acessórios, ou mesmo conversando com ele e gerando expectativa para a próxima sessão, etc., é tão variado que mereceria um post só pra isso.

 

Para que um Dominante possa experimentar a experiência do estilo de vida, necessariamente ele tem que se sentir Dominante, e faz isso exercendo sua Dominancia, no dia a dia e na sessão.

 

Se você já fez isso e sente que não viveu completamente o seu estilo de vida, provavelmente falta um passo, que é ter seu próprio Dungeon. Principalmente para o Dominante, ter seu próprio espaço para exercer sua Dominancia é a cereja do bolo para o Dominante. Mesmo que seja alugado, pequeno, mal iluminado, mal decorado, tenha poucos moveis e acessórios, é Dele. É nesse espaço que o Dominante se torna pleno, que seus submissos seguem todas as suas regras, e que ele faz e acontece.

Ter seu próprio espaço é muito mais que ter um quarto como o do 50 tons de cinza.

The Red Room – 50 Shades of Grey – O Quarto Vermelho – 50 Tons de Cinza

 

Eu durante muito tempo tive meu próprio espaço para ter minhas sessões, e é o que mais sinto falta atualmente.

Principalmente depois dessa última visita que fiz à vitória, vi alguns amigos, fiz novos, e tive a oportunidade de ir ao estúdio BDSM de um amigo, que achei sensacional, e agora essa necessidade ressurge, pois vi que esta me fazendo falta.

 

Devo um post sobre essa viagem a vitória, no qual pude conhecer parte o meio BDSM de lá. E um post sobre ter seu próprio espaço.

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