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Incrivelmente Pervertido

Ares 1

Há certo tempo em uma conversa com um amigo, eu estava cultivando o hábito de xeretar em assuntos que não conheço completamente, ou não tenho uma formação acadêmica. Dessa vez foi a psicologia freudiana, e também a questão de “de onde vem os fetiches”, ele é psicólogo, eu não. Rs

Argumentamos sobre questões do complexo de édipo, dos traumas que a pessoa sofreu, dos traumas atuais, de questões como síndromes, de distúrbios, de coisas boas que aconteceram, as primeiras experiências sexuais positivas, os tipos de atração que tiveram por pessoas do sexo oposto e do mesmo sexo…. Foi bem variado e acho que bem rico.

Mas fatidicamente chegamos ao ponto de que: Se pessoas completamente diferentes tem fetiches parecidos em alguns pontos, não faz muito sentido avaliar as experiências passadas, e sim o comportamento atual. Ou seja, o seu passado importa e as lições TEM que ficar, mas é o que vc quer pro seu presente e futuro que faz diferença.

 

E olhando para o seu futuro, pensando nos fetiches e na sua própria realização sexual, o que você ainda quer realizar?

 

É bem comum, as pessoas descobrirem BDSM, ter contato com as práticas e escolher facilmente o que gostam e o que não gostam.

 

É realmente fácil escolher…

Nipple clamps, prendedores de mamilo, você coloca, ou seu parceiro coloca, brincam um pouco, tiram e conversam: “Ah, eu gostei, vamos usar sempre que possível”, “Ah, não gostei, não quero repetir”.

Parece simples e é, tem coisas que você vai só olhar e ter uma ideia de que não quer fazer nem fudendo, tem outras que vc vai ter que olhar 2 ou 3 pra pensar um talvez, e outras vc vai olhar e querer.

 

Normalmente quando as pessoas conhecem práticas suficientes, já tem um leque de 5 ou 6 opções minimamente aplicáveis, elas param de ler e de buscar. É aí que mora o perigo de o BDSM se tornar monótono.

Procurando BDSM no google, vc acha infinita informação, infinitas fotos, infinitos vídeos, textos e todo tipo de coisa. Mas não é isso que satisfaz.

 

Você sabe o que mais dá tesão no BDSM?

 

Vou dar uma dica, não são as práticas. Não é o spanking. Não é a privação de sentidos. Não é o bondage.

 

É o conjunto da Obra, que se chama Cena.

 

Imagine um submisso “padrão”, se for mulher quer um Dom Daddy, ou um Dom Namorado, ele vai fazer spanking leve, “forçar” ela a ser little girl, ter sexo com ela com frequência e outras coisas. Se for homem, spanking leve, inversão, humilhação, as vezes podolatria, etc.

Os dois submissos têm seus fetiches em comum, mas eles não são feitos da mesma forma. Com a little, haveria algum erro pelo qual ela merecesse um castigo físico na cena. Já com um submisso fora do contexto do roleplay, o castigo não seria bem um castigo, e sim um Dominador impondo seu poder sobre o corpo do submisso e aplicando a prática. A prática é a mesma no caso, o spanking, mas feita de formas diferentes e em momentos diferentes, compõem cenas diferentes.

De todas as formas, o que encanta não são as práticas, e sim a cena.

Esta é a razão de porque muitas vezes uma pessoa baunilha não te satisfaz. Ele pode até saber aplicar as práticas, mas não vai te envolver na cena. Ele vai repetir o que você pediu, simplesmente porque você pediu.

 

“Poxa, legal, e essa cena, como faz?”

 

Uma Cena muito foda, muito excitante e que te realiza profundamente é a soma de uma expectativa plausível + uma promessa sedutora + química entre D/s + boas práticas + bons acessórios.

“Isso tudo?”

Expectativa plausível: Você sabe que do outro lado tem uma pessoa, com os limites dela, com os desejos dela, e sabe que não tem como fazer TUDO, tem que ir aos poucos e se conhecendo, além de medir consequências e ter as medidas necessárias caso algo inesperado aconteça.

Promessa Sedutora: Essa é uma das chaves, tem a ver com química tb. A sedução vem do que o Dominante “promete” fazer. Essa promessa vem da lista de fetiches, vem das fotos que ele costuma postar e principalmente das conversas. É essa promessa que acontece quando o Dominante te olha nos olhos, dá um sorriso de canto de boca e te guia para onde quer que seja. (Conseguiu imaginar?)

Química: Essa é a outra chave. Química é atração, são interesses em comum, é conversa, é aquela faísca inexplicável. É também admiração e vontade de estar junto. É aquela vontade de obedecer ao outro, ou de mandar no outro.

Boas práticas: São práticas que os dois gostem e que façam sentido na cena. Por exemplo, você adora um fetiche que tem a ver com robôs, aquela coisa metalizada e talz, numa cena de petplay? Então é interessante escolher as práticas certas, e até se vai demorar muito ou não para fazer. Vocês têm um tempo limitado, tem que comer, tem que dormir, tem que ir ao banheiro, além de não poder ficar 1 semana direto em uma cena. Então faça poucas práticas, mas faça com que sejam extremamente prazerosas. Eventualmente a cena pode até não necessitar de nenhuma prática e mesmo assim pode ser ótima.

Bons acessórios: Esse não é um fator chave, mas pode estragar a brincadeira. Se é o seu fetiche, a sua realização sexual, compre consciente, mas não economize demais. Sério. Imagine aquele mosquetão para suspensão, vc tinha o de 20 reais que aguentava 200 kg, e o de 5 reais que aguentava 80 kg. Nesse caso é melhor ter um coeficiente de segurança, até porque subs existem de todos os pesos. Da mesma forma que um acessório descartável que se desmanche na cena, não tem graça. “bate mais… não dá, o chicote desmanchou”

 

A perversão e a realização sexual estão na experiência como um todo. Um bom pervertido, constrói a cena, cria as condições e envolve seu parceiro. As vezes o Baunilha é até legal, mete gostoso, mas falta exatamente ter passado pelo caminho de conhecer suas próprias perversões, de entender o que quer e principalmente como quer.

Para alguns, simplesmente o fato de envolver o parceiro em alguma situação completamente alheia ao que ele tem costume, serve como um botão de liga para o tesão.

Sério.

Veja o vídeo e me diga.

 

Não vi chicote, não vi algemas, não vi látex, couro nem nada fetichista ou BDSM, só troca de olhares e uma clara situação em que um se submete ao outro.

A coisa toda é tão sutil, que eventualmente perceber o que excita o parceiro é o que faz com que se continue a brincadeira, ou se repita futuramente em uma situação criada para as vezes parecer semelhante.

 

“Mas então, eu só preciso envolver o parceiro?”

 

Isso é 90% da brincadeira, os outros 10% se devem a ser Incrivelmente Pervertido.

 

Eventualmente repetir alguma cena romântico-erótica de algum filme faz sentido e é até legal. Mas forçar o parceiro a coisas pervertidas, que realmente o humilhem ou o envergonhem, faz com que o nível de cumplicidade e tesão aumente muito, e isso torna tudo melhor. Tudo com responsabilidade, claro.

 

O que é incrivelmente pervertido?

Isso depende, depende da sua relação e de você. Pra mim, incrivelmente pervertido seria amordaçar, colocar vibradores, eletro estimuladores e todo tipo de coisa que pudesse ser controlada por um controle remoto, e vestir uma roupa de bicho de pelúcia nessa pessoa. Em um quarto, pela casa ou em local público mas controlado.

Da pra ver mordaça e acessórios sobre essa roupa? Sera que da pra ouvir os vibradores? É um homem ou mulher? Dá até um jogo com isso… “Fica quieto(a) se não as pessoas vão ouvir”.

 

Tem ideias simples também.

 

Sabe porra? Aquela que sai do orgasmo, da ejaculação.

 

E se…. Você tivesse sexo com seu parceiro, pegasse essa porra, e passasse no cuzinho dele dizendo “agora vc está feliz, certo putinha? Com o cuzinho cheio de porra”.

 

Todo mundo tem aquele fetiche oculto, aquela coisa que excita ao mesmo tempo que o faz sentir um pervertido, aquilo que o faz pensar “o que será que os outros vão pensar”. Eventualmente acertar esses fetiches, tocar nesses botões pode ser extremamente prazeroso, depende só de sensibilidade para ouvir e entender o parceiro, mesmo que ele não diga diretamente.

Ou, pergunte diretamente: “Me conte uma coisa pervertida que você tem vontade de fazer? Pode ser qualquer coisa!”

Provavelmente ele vai responder, tente não julgar, se ele falou abertamente, o fetiche e principalmente você tem valor pra ele.

 

E você?

Me conte uma coisa pervertida que você tem vontade de fazer? Pode ser qualquer coisa!

Nos comentarios ou no e-mail: dom_ares_bh@hotmail.com

  1. Gueixa Gueixa

    Seria interessante um jogo…mas meu corpo usado como tabuleiro…pensando nos detalhes. … Ambiente: luzes, música, tipo de vinho degustado. E eu ouvindo os dois jogadores se divertindo e, claro, me divertindo também. Teríamos feito uma aposta. O ganhador realizará sua fantasia em mim. O perdedor, assiste.

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