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Arromanticos e o BDSM

Ares 3

 

Bom, BDSM vocês sabem o que é, certo?

Tem todas aquelas técnicas de dar e receber prazer, exercício de sexualidade, relação entre Dominante e submisso e por aí vai.

 

Mas já ouviu falar de Arromanticos?

Achei pouco material disponível e de qualidade, até porque parece ser uma coisa mais nova. Ou que “ganhou um nome recentemente”, porque pode ter sido descoberto recentemente. Não é muito pertinente desde quando existem autodenominados arromanticos, então eu vou focar no que realmente interessa.

Arromantico tem a ver com a questão de identidade, como a pessoa se vê, e é caracterizado pela ausência de atração romântica por qualquer gênero, ou pela pouquíssima sensação de atração romântica, ou pela sensação de atração românica só em circunstancias especificas. É o contrário de pessoas românticas, que sentem desejo de estar em uma relação romântica (por exemplo: namoro).

Pessoas Arromanticas não sentem desejo ou sentem pouquíssimo e muitas vezes, se satisfazem com amizades e outras relações não-romanticas.

 

E aí tem a diferenciação arromantico pode ter a ver OU NÃO com Assexualidade.

Assexualidade é uma identidade que se caracteriza pela ausência de atração sexual por qualquer gênero, ou pela pouquíssima sensação de atração sexual, ou pela sensação de atração sexual só em circunstancias expecificas.

 

Tá!? E como isso se aplica ao BDSM?

 

O BDSM que conheci, e que aprendi a gostar teve muito a ver com certo nível de auto aprimoramento. Eu comecei no BDSM porque tinha uma necessidade de realizar meus fetiches, eu simplesmente era pervertido demais para ter que lidar com isso de forma “normal” e me encaixar em algum lugar. E depois acabei descobrindo a imagem do “Quem eu queria ser”.

 

Na minha opinião, o BDSM é algo que tem a ver com o arromantico, e que as vezes tem algo a ver com o assexual.

 

Porque o objetivo principal do BDSM é a realização pessoal, é a realização sexual, é o exercício da sexualidade, e neste nível, se assemelha muito ao arromantico, pois são pessoas que se satisfazem com relações não relacionadas à busca pelo romance.

 

Pode ter romance? Pode.

Pode não ter? Pode também.

 

Inclusive eu recomendo que quando você for começar no BDSM, deixe de lado o romance, deixe de lado a imagem do Christian Grey e até mesmo qualquer devaneio sobre encontrar o príncipe encantado, a princesa encantada ou qualquer coisa que o valha.

A relação BDSM, estabelecida pelas posições de um Dominante e um submisso, é algo que existe para atender outras questões, que não um romance. Normalmente vêm de necessidades alheias ao romance.

Servir? Apanhar? Bater? Amarrar? Ser amarrado?

“Ah mas é com amor”

Nope.

Ok, pode ser que surja amor, ou paixão, em algum momento da relação, afinal é tudo tão visceral, tão intenso…. Mas surgiu, não foi buscado, não foi procurado, muito menos intencional, só aconteceu.

 

Isso é arromantico.

 

E o assexual?

 

Pode ser que sim, faz inclusive sentido, muitos dos praticantes, os que aplicam as práticas e os que recebem as práticas, podem muitas vezes não ter atração sexual no parceiro.

Pode haver um jogo, em que a Domme, linda, magnânima, poderosa, não permita seu submisso ter sexo com ela, ela se satisfaz de inúmeras maneiras, mas sem sexo. Pode ser que a Domme não ache o submisso digno, ou tenha algum bloqueio. Pode ser que a Domme mantenha o submisso em castidade e não haja sexo para ele.

Eu acredito que BDSM seja exercício da sexualidade, existente por um Dominante e um dominado, e que haja sedução, erotismo, todo aquele jogo que nos leva a ter tesão, que pode culminar ou não em sexo, mas que independe de BDSM e depende exclusivamente dos participantes em questão.

 

Sessão sem sexo pode ser tão realizadora quanto sessão com sexo.

 

Sexo é diferente de orgasmo e um não é vinculado ao outro.

 

Isso tudo, pra dizer o seguinte:

Nenhuma ideologia é 100% certa ou errada, não tem porque aceitar tudo como verdadeiro, pois isto em vez de esclarecimento, traz alienação.

Pra mim, funcionou e ainda funciona, pegar uma parte ou outra que pode me fazer bem e permanecer em uma relação enquanto ela me fizer bem. O conversado não sai caro e deixar o outro saber da sua condição, e mesmo das suas expectativas e possibilidades de atende-lo, seus limites, faz com que vocês possam construir uma relação sadia.

O seu autoconhecimento diz com quem você é capaz de se relacionar, e como essa relação funcionaria. E é sempre melhor você ser sincero e oferecer o que consegue, e ser feliz, do que prometer algo além dos seus limites e ser refém dessa promessa.

Eu me relacionaria com uma arromantica sem problemas, sei que tenho que oferecer amizade, companheirismo, boa conversa, cumplicidade e inúmeras outras coisas que tenham valor para ela, em vez de tentar fisga-la para um compromisso, que provavelmente nunca acontecerá e que se acontecer por pressão fará dois infelizes.

E é isso:

autoconhecimento + sinceridade = sucesso.

  1. Vivi Vivi

    Puxa, gostei muito dos seus textos. Obrigada por compartilhar 🙂

  2. Excelente , pena que atualmente o que mais se vê pela net são as românticas a procura do Dom Encantado e isso já está ficando tão cansativo que eu mesma já nem tenho vontade de participar de grupos e tal pq tem sido sempre uma falta de conhecimento total e uma gente sem noção de nada achando que vive BDSM.

    • Ares Ares

      Sim, mas se nós que temos vivencia, desistirmos, quem mais vai mostrar as pessoas o quanto é bom “ser de verdade”?

      Acredito que a visão romantizada vem de uma ilusão, mas a medida que amadurece, ela se torna real e bem mais realizadora.

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