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Há mais submissos do que Dominantes?

Ares 0

Este tema surgiu de uma conversa que tive com algumas pessoas sobre BDSM. Todos eram leigos, estavam participando de uma produção e precisavam de mais informação, eu e mais dois fomos falar de BDSM, um pouco das nossas experiências e de como a coisa funciona para nós.

Perguntaram se há mais submissos do que Dominantes, e eu resolvi transcrever um pouco do que penso sobre.

Basicamente, a resposta é: Sim, há mais submissos do que Dominantes.

 

Quando entramos no meio BDSM, ou quando assumimos nossos desejos por BDSM, somos impelidos a escolher um papel, é meio que automático, “Ah, eu já domino no meu ambiente de trabalho e quero perder o controle um pouco”, ou “ah, eu quero dominar, pq tenho tesão em ver alguém rastejando por mim”. As respostas variam, mas as pessoas costumam procurar coisas diferentes e exóticas, e as vezes é isso mesmo que nos desperta tesão.

As vezes esses papeis mudam ao longo do tempo, é algo completamente mutável que depende de vários fatores.

O papel de submisso normalmente exige certas decisões, e até firmeza. O submisso tem que conseguir se entregar ao Dominante, e cuidar de seu Dominante, ele tem que se manter interessante e despertar interesse e tesão, tem que conseguir junto com o Dominante, superar seus limites e evoluir junto com a relação.

E aí vem uma coisa pouco conhecida, o submisso normalmente tem um prazer mais sensitivo, ele recebe as práticas e tem tesão em receber o que o Dominante impõe, ele se sente realizado em ter as marcas que seu Dominante deixa em seu corpo.

 

O papel de Dominante exige coisas diferentes do que o papel de submisso, normalmente fica a cargo do Dominante entender o submisso e guiar para que ambos se realizem. É o Dominante quem cria a cena e que envolve o submisso na fantasia, há cenas tão bem-feitas e tão imersivas, que o submisso se sente completamente sem escolha, mesmo que tenha.

O prazer do Dominante acaba por ser um prazer mais contemplativo, ele pega o ratinho (o submisso), cria o labirinto com as dificuldades e com o caminho que deve ser percorrido, e coloca o queijo no final, como um prêmio por bom comportamento.

 

E aí as pessoas tendem a escolher o papel de Dominante pela ideia de que vão ser servidos, e ter suas vontades atendidas. Elas acham que papel de Dominante é algo em que vão dar ordens aleatórias, sem planejamento e sem direção, e acabam por se frustrar e frustrar ao submisso, quando fazem isso. Sendo que a realidade é que
A coisa funciona assim, o Dominante planeja, e coloca o submisso na direção de realizar seu plano, ele serve como referência para o submisso, ele é firme, bem resolvido e sabe o que quer, portanto mesmo que o submisso se perca no caminho, com o Dominante sendo firme, o submisso rapidamente volta na direção certa.

 

Portanto, antes de se aventurar, ou até de continuar o que tem feito, pense no seu caminho e no que o papel ou a ausência do papel representa na sua vida.

O caminho é mais importante que o destino.

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