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Minha família descobriu, e agora?

Ares 0

Normalmente as pessoas têm uma ideia errada sobre TUDO que não conhecem direito ou vivenciaram. Isso acontece sempre, em todas as áreas, em todos os assuntos e com todas as pessoas.

Digamos que você conhece uma pessoa, a conversa é boa, as afinidades são muitas e a coisa flui. Em algum momento o assunto chega em BDSM, aí você, com todo o tato do mundo, mostra este mundo mais colorido aos poucos, em doses homeopáticas, como deve ser, para não assustar e para que qualquer “pré” conceito não seja um problema.

“Ei amor, trouxe esta venda de tiras de cetim, eu vou te amarrar na cama hoje…” Aí enquanto a pessoa está amarrada, e vendada, você continua a brincar com seus sentidos… primeiro um morango em sua boca, depois passa uma rosa pelo seu corpo, deixando antes sentir seu perfume, passa as mãos e deixa sentir seu toque quente….

Neste momento já começa a sentir certos arrepios e até gemidos…

O seu/sua amado(a) está super convencido de que é BDSMer, e super feliz com uma das fantasias realizadas, você pode começar a falar sobre coisas mais pesadas, “ou não”, e a relação segue bem melhor.

Esse “ou não”, existe pelo simples motivo, de que nós sempre temos a escolha de procurar novas fantasias, realizar novos desejos, ou que simplesmente chegamos onde queríamos. Sabe aquela sua fantasia mais pervertida? Sabe aquilo que você sempre quis realizar e que se sentia estranho por gostar disso?

Essa “fantasia super pervertida suprema”, é algo simples para a maioria das pessoas, mas que pela sociedade que vivemos, pelos tabus diários, acaba se tornando algo distante. As vezes a cultura das pessoas, a sociedade, até mesmo os parentes, os amigos, te dizem como deve ser sua vida sexual, e mesmo que a deles tenha as fantasias que lhe cabem, eles vão tentar opinar sobre a sua, certo ou errado depende da sua relação e da liberdade que você dá.

Isso é o que vc vê em sites pornô, eles ganham dinheiro pelos extremos.

Uma modelo, que participa de cenas assim, ganha entre 4.000 e 5.000 dolares.

Na realidade, e em 99% dos casos, o spanking erótico causa só um vermelho mais leve e esquenta.

As vezes o que a internet mostra é totalmente irreal.

 

Bom, sua relação com seu parceiro está ótima, cada dia gostando mais um do outro e de repente….

Sua família ou a do seu parceiro descobre… :-O

Tem vários jeitos de se descobrir que aquela pessoa tímida, do dia a dia, que leva uma vida super normal, trabalha, tem uma ótima relação com várias pessoas, etc., tem algum “desvio”. “Desvio” porque quem vê de fora, acha errado, incorreto e todo tipo de pensamento alheio ao que é para pessoa que vive, “desvio” por ser fora do normal.

A forma que “descobrem” isso depende, mas é normalmente de uma forma inesperada, e em um momento que vc não esperava, mas fazer o quê… rs

Aí começam a te bombardear de preocupações, baseadas nos preconceitos deles…

“Nossa, mas você gosta desses trem de Sado Masoquismo? Você gosta de apanhar? Eu te bati pouco quando você era menor?”

É sério… já vi isso acontecer… rs

Quando se fala de BDSM, mesmo sendo uma coisa complexa e que muitas vezes não envolve sequer dor, sadismo e masoquismo, acaba que todos associam com “Sado”, com dor, sangue e coisas normalmente muito mais hardcores do que são. Não quer dizer nunca que só porque a sua relação tem elementos BDSM, que você segue um roteiro de práticas dolorosas e violentas. Normalmente a coisa fica beeeeeeeem mais leve.

Para mim por exemplo, eu trabalho com BDSM, tenho minha loja, escrevo e etc, as pessoas tendem a me achar mais hardcore, mais “pervertido”, e até perigoso em alguns momentos, só porque eu trabalho com isso. Mas a verdade é que justamente por conhecer um pouco mais do BDSM, eu escolho e dificilmente faço práticas que envolvem dor, simplesmente por não ter tanta graça para mim.

“Ah mas você domina o chicote longo, e o barulho é assustador, deve doer muito, etc, etc, etc…”

Sabe aquele chicote de 2,20m do meu vídeo? Nunca bati em ninguém com um daqueles. o link: https://youtu.be/_0Z0RK5EDqA

Mas por que os pais tendem a se assustar tanto com isso?

Tem a parte do filho estar se envolvendo com alguém perigoso? Tem. Normalmente eles acham que como a pessoa tem algumas coisas mais explicitas, ela já carrega algum tipo de psicopatia, ou sociopatia. Mas a verdade é que é só preconceito.

Trabalhando com BDSM, eu já conheci pessoas muito boas e muito ruins, e isso funciona como na sociedade. Você encontra pessoas sensacionais, como aquelas que param tudo pra poder te ajudar sem esperar nada em troca, como encontra aqueles que esperam você virar as costas pra poder fazer algo ruim. Depende do tipo de pessoas que você atrai.

Eu por exemplo, escolho me cercar de pessoas boas, então no meu círculo social tem pessoas como eu, que fazem ou fizeram trabalho voluntario para ajudar pessoas. Tem pais e mães de familia, casais que brincam entre si, avós que criam seus filhos e netos, mães solteiras que ralam pra caramba pra dar um futuro aos seus filhos. Pessoas que tem um proposito e que são boas em sua essência.

Uma outra coisa que assusta muito os pais é a parte sexual da coisa.

Os pais, principalmente, tendem a ter uma imagem assexuada dos filhos, assim como os filhos tendem a ter uma imagem assexuada dos pais. O filho que criaram com tanto carinho, a pão de ló, com todo o amor do mundo, não pode ter fantasias sexuais. É inadmissível que o filho se “suje” com o sexo. É uma coisa bíblica inclusive, adão e eva, e o fruto proibido, eles são expulsos do paraíso por se “sujarem” com o fruto proibido.

Hoje em dia, que você liga a televisão e vê coisas extremamente sensuais, as vezes eróticas, as vezes explicitas, e mesmo assim as pessoas tendem a ver o sexo como tabu.

Na minha opinião, não é bem o sexo, mas a sexualidade. É comum, mais do que deveria, as pessoas falarem de sexo, consumir pornografia e ter inúmeras fantasias não realizadas, só porque elas não sabem falar de sexualidade.

Alguns casais pedem ajuda, alguns amigos reclamam, o mais comum é: Minha relação não está boa, o sexo já foi ótimo, hoje é pouco, de baixa qualidade e quase inexistente. Como tento ajudar a resolver? Recomendo que comecem a conversar de novo. Que comecem a procurar interesses em comum, e que falem sobre suas fantasias, que sejam cumplices.

Agora que você sabe o que acontece e o que pode acontecer, é interessante se precaver um pouco.

Meus pais sabem com o que eu trabalho, minha família também sabe, as vezes eu escuto “a gente cria um filho com tanto amor para ele vender chicotes pras pessoas se baterem”, quando estou com paciência eu digo: Eu não vendo coisas pras pessoas se fazerem mal, eu ajudo as pessoas a serem mais felizes consigo mesmas e com seus parceiros.

Muito da imagem que você pode transmitir, depende de como você se vê.

Eu vejo meu trabalho, e todas as pessoas que tento ajudar, quase como que uma missão divina de poder fazer a vida das pessoas melhor.

Estávamos em um bar, eu e uns amigos, um deles advogado, que me disse “Lucas, eu te invejo. As pessoas te procuram porque você pode ajuda-las a ser mais felizes, elas te pagam pra você poder ajudar elas a ter relações melhores, namoros melhores, casamentos melhores. Comigo as pessoas só me procuram quando tem algum problema. ”

O segredo dessa imagem que você transmite é algo que seus pais tentam te ensinar, chamado Princípios, chamado valores.

Mesmo meus pais vendo sexo como algo sujo, eles me respeitam pelos meus valores. Eles sabem que eu tento ser justo sempre, que eu valorizo as pessoas e que eu trato todos iguais sempre. Eles sabem que mesmo tendo meus gostos “peculiares”, eu sou um bom filho.

Eu acho, que a sua vida sexual, é algo que só diz respeito a você e ao seu parceiro, mas se por algum motivo isso se tornar público, não perca tempo dando detalhes, aquilo faz sentido pra você e só. Você não tem que se justificar, muito menos se sentir envergonhado ou pedir desculpas. O outro nunca vai te entender. Então, dê ao outro coisas que ele entenda, deixe que ele saiba dos seus valores, de como você é uma boa pessoa.

Se o outro achar que sexo não pode ser como ele acha que você faz, azar o dele. E é azar mesmo, dele e do parceiro, imagina sua vida com “papai e mamãe” sem sal, o resto da vida? Imagina sua vida com “papai e mamãe” sem sal, uma única vez por mês o resto da vida? rs

E se algum dia, você perceber que o outro precisa de ajuda, e que ele vai verdadeiramente te escutar, pois a relação dele está uma merda, aí você ajuda.

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