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Pescaria em aquário e suco de laranja

Ares 0

Eu juro que tem uma lógica. Rs

 

Primeiro eu vou explicar as duas teorias.

 

Imagine o BDSM como um número limitado de pessoas. Poucos criam perfis BDSM e vão atrás de outras pessoas BDSM para se realizar. Limitado quando comparamos a população do Brasil com a quantidade de pessoas com perfis BDSM.

A coisa toda funciona assim, com três grandes grupos.

Os que nunca ouviram falar de BDSM ou de suas “vertentes”, as vezes falta de acesso a informação, as vezes por realmente nada ter passado na frente deles e despertado o interesse.

Os que ouviram falar de BDSM e de suas “vertentes”, e nunca tiveram nada real. Aqui entra a maioria dos BDSMers nacionais. Neste grande grupo entram todos aqueles que nunca se sentiram atraídos, que nunca tiveram coragem, ou que por informações erradas foram repelidos. Isso acontece muito infelizmente. Sabe aquele “dominador pica das galáxias babaquissimo” que você conheceu outro dia? Ele tem sua parcela de culpa aqui.

O terceiro grupo é aquele que ouviram falar do BDSM e de suas “vertentes”, e tiveram algo real. Este grupo é subdividido em outros dois:

– Os que tiveram algo real e não gostaram. Seja porque o parceiro foi um babaca e não respeitou, seja por não ter encontrado o papel certo e “aceitado o papel errado” para poder “vivenciar a experiência”, seja por ter experimentado as práticas erradas na primeira experiência, ou ainda a intensidade errada. Seja por querer a experiência, experimentar e o parceiro começar a pressionar para um relacionamento afetivo, sendo que a ideia original era “só sexo”, “só BDSM”. Aqui são os que não ficaram.

– Os que tiveram algo real e gostaram. Pode nem ter sido a melhor experiência do mundo, acredito que a primeira sessão é como perder a virgindade, normalmente a maioria não gosta da primeira vez. Mas foi “boa” ou “ok”, sem traumas, sem problemas e deixou aquela vontade de mais. E aqui tem ainda mais 3 tipos: os que tem não tem informação suficiente e que acabam achando que foi uma boa trepada, que a pessoa tinha “pegada”, e como ele não deu nome aos bois, fica assim. Os que não tem informação suficiente, mas sabem o que significa a sigla BDSM, SSC, Dom e sub, eles não sabem direito por que estão no meio BDSM, não tem muita noção das coisas, falam muita merda e são os “pouco atraentes” que repelem os novatos. E os que tem informação suficiente, sabem o que fazem e porque fazem, esses normalmente e em sua maioria, não estão no meio BDSM já perderam a paciência.

Ok, vc tem a big Picture.

Então, por que pescar em aquário?

Porque você viu que a maioria das pessoas que está procurando realização pessoal dentro do meio BDSM, como você, não tem muita informação para fazer isso acontecer.

 

Ok, e o suco de laranja?

Bom, quando você vai fazer um suco de laranja a coisa funciona assim. (Um roteiro para você fazer em casa.)

1 – Escolha as laranjas

2 – Corte as laranjas ao meio

3 – Pegue um espremedor

4 – Esprema as laranjas.

5 – A partir daqui a receita pode variar, água, açúcar, coar, etc….

Mas basicamente é isso.

Então, quanto mais laranjas você tiver, proporcionalmente a quantidade de suco aumenta. Se você escolher laranjas boas, o suco pode ficar melhor. Se você escolhe laranjas “secas” vai ter pouco ou nenhum suco.

A ideia da teoria do suco de laranja é que se duas laranjas dão como resultado 1 copo de suco, você pode tentar novos processos, pode tentar espremer de um jeito diferente, pode fazer o que for, mas sempre vai ter 1 copo de suco.

Ah, mas deu mais um golinho.

Ok.

Não são dois copos. É um copo e um golinho.

Isso comparado a dinâmica sócio econômica do BDSMer médio, quer dizer que não adianta ficar espremendo muito, você vai ter sempre os mesmos resultados. O meio BDSM é isso aí que você viu até hoje. Normalmente, inclusive, são pessoas com perfis parecidos. Alguns poucos são realmente diferenciados.

 

E o que a gente aprende com isso tudo?

Se você é como a maioria, que fica horas e horas “caçando” no facebook, você provavelmente perde seu tempo. Sabe aquela submissa gatinha que você conheceu? Provavelmente já tem alguém prometendo a ela tudo o que você, por bom senso, não quis prometer. Porque no aquário do BDSM, não tem os melhores alimentos os peixes maiores, mas os que prometem mais romance, mesmo que não tenham nem ideia do que isso seja.

Se você é aquele tipo de pessoa, homem ou mulher, que usa sempre as mesmas fotos retiradas do google imagens, quando faz uma busca genérica por BDSM, saiba que 99% faz isso, e que tem sempre os mesmos resultados. “Nossa, que linda”, “Linda imagem submissa, demonstra todo o anseio do seu ser”, “Que você e o seu Senhor sejam abençoados”.

 

Faça diferente. Pare de tentar ver o mundo com as lentes que te deram quando você viu o meio BDSM a primeira vez. Por que será que fazem o que fazem aqueles que estão aí tempo o suficiente para virarem os caga regras de amanhã? Porque tem quem os compre.

Se você aceita tudo o que te dizem, bem como aceita que o BDSM é o suprassumo da realização sexual, fatalmente você vai se ver frustrado e infeliz.

Então pare de tentar extrair tanto suco, dessas mesmas laranjas, desse mesmo meio que já te frustrou, e abra sua cabeça para fora do meio BDSM.

Abra sua mente para pessoas que estão fora do BDSM, para aqueles que tem boa vontade, boa índole e querem um sexo de qualidade.

Procure química e procure boa conversa, o resto não precisa nem de nome.

Deixe as promessas a quem depende delas para viver… Políticos, religiosos, e BDSMers “médios”.

E seja honesto, consigo e com o pretenso parceiro. Promessas somente factíveis.

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