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A Super Oferta de Submissos no BDSM

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E se eu te dissesse que para cada 1 Dominante existem 4 submissos?

Pesquisas (minhas pesquisas) mostram que para cada Dominante no meio BDSM existem em média 4 submissos, isso claro, excluindo os gêneros, dos Dominantes e dos submissos. A coisa se torna tão bizarra a ponto de haver submissos se tornando, ou tentando ser, Dominantes para poder viver algumas experiências dentro do BDSM.

No Brasil temos cerca de 200 milhões de pessoas, e deste total temos cerca de 70 mil pessoas ativas, com perfis em redes sociais BDSM e fetichistas. Como eu sei disso? Eu trabalho com isso. Ou seja, 0,00035% são BDSMers, o que é um número irrisório comparado a países europeus, que tem uma porcentagem de BDSMers e Fetichistas muito maior. Somos um país atrasado em termos de sexualidade, fetiches e todos os assuntos tangentes. Os que tentam se realizar sexualmente, somente no meio BDSM, acabam, literalmente, pescando em aquário.

Sabe aquela Domme que você conheceu online? Neste momento, enquanto ela conversa com você, ela recebe mensagens de mais 4 ou 5 pessoas. Aí você pergunta, não eram 4 subs? Sim, mas tem os do outro Dominante que só tem 1 sub, e os “doms”, que não se assumiram como sub ou como SW e ficam xavecando outros dominantes, portanto “sobram” conversas.

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(Todo mundo quer pegar a Mulher Maravilha!)

Se você é Dominador (Homem), normalmente e se você se relaciona bem, recebe cantadas, “ois” despretensiosos, e pedidos de adição sem outra explicação que não uma brecha para uma conversa. A pessoa te adiciona e espera que você puxe assunto com ela. Essas abordagens vêm de homens e mulheres. Como tenho amigos gays, normalmente os que os tem em seus ciclos acham que sou gay também, as vezes isso enche o saco por abordagens escrotas, as vezes o cara conversa na boa e o mal-entendido não acontece.

Se você é Domme (Mulher), normalmente, independente de quantas pessoas você conhece, se o seu perfil tem fotos suas ou não, você fatalmente vai ser abordada por um sem número de homens submissos “extremamente servis”, que farão de “tudo” por você. E vai conhecer Dominadores que não vão se dar ao trabalho de saber sobre você, e vão te abordar como se você fosse uma “submissa padrão”. Ahhhh… e já ia me esquecendo, tem também os “consertadores” de lésbicas, “você só é lésbica porque não foi bem comida” ou “poxa, chama sua namorada”…. Ridículo.

Então, por que existem tantos submissos?

A resposta é mais simples do que você imagina.

Ser submisso, em um primeiro momento, e em uma visão simplista, é mais fácil.

Não acredito em nada fácil, mas continuando o raciocínio.

Você sabe de onde vem cada um dos prazeres?

Normalmente o prazer do Dominante acaba por ser um prazer mais contemplativo. Quando à distância, ele dá as tarefas e castigos, assiste, guia, coordena e leva o submisso a atingir os resultados esperados. Quando pessoalmente, ele dá as tarefas, assiste, guia, coordena, ele mesmo aplica os castigos, e ele mesmo aplica as práticas. Ele cuida da cena como um todo. O que levar? O que fazer? Quando vai acontecer cada coisa? Como isso vai acontecer? Qual a reação causada? Tem que ajustar algo? A prática não está como esperada? Tem que tomar alguma atitude emergencial? Ele pode “só” aplicar a prática e relaxar? Só assistir?

Já o submisso tem um prazer mais sensitivo. Quando à distância, ele recebe as tarefas, ele aplica as práticas em si mesmo, ele aplica os castigos em si mesmo, ele é guiado, assistido, e coordenado para atingir os resultados esperados. Quando pessoalmente, ele é instruído a preparar algum aspecto da cena e no momento que ela começa, fica disponível para seu Dominante, integralmente, totalmente e sem muita hesitação. O submisso se preocupa única e exclusivamente com seu Dominador, procurando satisfaze-lo. Enquanto recebe uma prática, o submisso preocupa-se somente com suas sensações e com seus limites.

No momento da aplicação da prática, o foco volta totalmente para o submisso. E isso é normal, não tem problema nenhum. Até porque, o foco no Dominante, enquanto o submisso recebe a prática, faz com que tudo aconteça de forma irresponsável.

E na aplicação das práticas, vem 2 reflexões.

Todo mundo quer bater, mas ninguém quer apanhar. As pessoas têm pouco, ou nenhum conhecimento sobre seus corpos. Não conhecem seus limites e muito menos as práticas. As vezes até sentem prazer recebendo estímulos físicos como spanking, mas como não sabem sobre BDSM, acham que se se colocarem a disposição do outro para receber um spanking por exemplo, esta pessoa vai machuca-los seriamente. (Você sabe o que é SafeWord?). Ou que serão vistos como “menos dignos”. E há inúmeras outras práticas que podem ser recebidas, que tem dor ou não envolvida, e são tranquilos. (Com SafeWord inclusive.).

A segunda reflexão é que quando o submisso recebe uma prática, ele se torna totalmente egoísta. Quando ele está a distância, aplicando as práticas em si mesmo, ele mesmo controla a intensidade, ele controla a frequência, ele escolhe o tamanho, tudo de acordo com o gosto dele, para o prazer dele. E o Dominador acha que está arrasando. “Meu submisso faz tudo o que mando e do jeito que mando, sou foda! ”. rs

Quando estão juntos, o submisso as vezes vai até seu limite, sim. Às vezes. Normalmente não. Por que? Porque é cômodo para ele. Ele usa da SafeWord para tentar controlar a relação.

Ok. Mas por que tem tantos submissos?

Porque no nosso contexto geral, as pessoas entram para o BDSM para se realizar. Não trocar prazer.

Tá. Mas se é para se realizar, não era melhor ser Dominante? Dominantes são egoístas, certo?

Só é melhor ser Dominante quando você procura sexo fácil. É mais fácil ter sexo enquanto você é Dominante. Há mais submissos. O restante do tempo é só mais trabalho.

E a parte do egoísmo? Tem Dominantes que tentam satisfazer outros aspectos de sua vida que não a realização sexual e por isso parecem ser egoístas, mas na verdade eles estão no BDSM pelos motivos errados. Os Dominantes de verdade estão aqui para ter realização sexual, mesmo que a realização sexual seja gozar em um banco de couro de um superesportivo. A linha é tênue e precisa de visão apurada, mas depois de um tempo fica claro nas primeiras conversas. É fácil perceber as intenções de alguém quando você sabe o que procurar no discurso dela.

Tá, mas e por que tem tanto sub?

De novo. Porque é mais fácil.

“Ah, mas eu sou sub e me entrego completamente. Essa entrega é dificílima. ”. Balela. Quando foi a última vez que você conheceu um Dominante que realmente evocou todo o seu lado submisso, e quis, e recebeu sua entrega? Quando foi a ultima vez teve toda essa entrega!? Então…

Tem tanto sub porque é mais “fácio”. É fácil ter outra pessoa te dizendo o que fazer e você escolhendo o que fazer. (Lembra da parte da distância? A maioria dos relacionamentos BDSMers são a distância e permitem muitas coisas aos subs.). O submisso só precisa escolher o que fazer, como fazer e responder “Sim Senhor”, e terá sempre alguém disposto a realizar seus fetiches.

E tem outra facilidade extrema, o submisso pode sempre exigir exclusividade. Ter seu próprio Dominante.

Exclusividade é quando o Dominante só tem um submisso. Não que seja “só um”, as vezes “só um” é extremamente gratificante. Mas eu acredito que na condição de posse, do Dominante ser Dono do submisso, o submisso não deveria exigir isso, e deveria confiar no Dominante. (Lembra da parte da entrega e talz?). Mas o submisso exige, assim ele tem seu próprio Dominante para servir ao seu prazer.

Além de que, o submisso pode sempre controlar o Dominante.

Uma história verídica. Aconteceu comigo…

Imagine um Dominante pouco experiente. Recém acabado de descobrir o BDSM, conhece uma submissa mais experiente, mais velha, com uma bagagem. Eles se relacionam, o assunto de exclusividade é passado como uma breve formalidade, ele não sabia bem o que era isso, muito menos tinha muito tempo disponível para “caçar submissas”. A coisa flui, ela goza muito, sempre. Usa a safeword sempre que chega próximo ao limite. Os limites são baixos, as práticas limitadas ao que ela mais gosta. A relação começa a se estagnar quando ele não se esforça tanto como antes. A submissa na posição de “servir” ao seu Dominador não sabe bem o que fazer, continua na posição passiva, esperando ele fazer e acontecer. Ele se frustra e a relação acaba. A submissa sai da relação pensando que ele não era um “Dominador de Verdade”, ela fez tudo o que ele queria e serviu a ele como ninguém.

A culpa é do Dominante. Ou do “não Dominante”, talvez ele era um fetichista…

Tem tom de desabafo? Tem. É um desabafo? Talvez, mas também é uma forma de reflexão.

A relação com essa submissa me ensinou muito….

“Eu li seu texto até aqui e estou desiludido com o BDSM”.

Ótimo!

Você já tem informação suficiente para saber o que evitar.

Se você é Dominante de verdade, saiba reconhecer, e saiba guiar aquele submisso que quer trocar prazer. NUNCA acredite em entrega e que um submisso se entrega ao seu Dominante. O Dominante e o submisso, mutuamente, se entregam à relação. Os dois, juntos, são responsáveis pela relação. O Dominante não é responsável, sozinho, pela relação pelos seus sucessos ou insucessos. Se você, como Dominante, acha que dá conta de ter mais de um submisso, esteja ciente do que isso implica e vai atrás. É sua realização sexual em jogo.

Se você é submisso e quer ter um Dominante de verdade, entenda que o que vocês fazem é um jogo. Um jogo muitas vezes de sedução inclusive, portanto em vez de ser passivo, seja ativo. Iniciativa! Vontade! Saiba o que quer e faça por isso. Se você deixa nas mãos do Dominante, e mesmo não concordando com muitas coisas, aceita e engole sapos, esses sapos comem aquelas borboletas no estomago, aquela ansiedade, aquela paixão, e a relação esfria. Sabe aquela pratica que você sempre quis fazer? Diga a ele abertamente “Eu quero isso”, não demandando, mas dizendo que quer, que topa, que se interessa, e que se ele permitir, você vai buscar o material para isso. Abra um caminho para o Dominante conversar com você. Ser Dominante as vezes é solitário se você não pode/consegue se abrir com seu submisso/parceiro. Deixar seu Dominante “preso” ao papel de Dominante é péssimo para a relação, pois não permite que as vezes ele seja uma pessoa e não um “Dominante-realizador-de-fetiches-inator”.

Não faça parte da estatística de “dominador médio” que vemos diariamente. E muito menos faça parte da estatística de “submisso médio”. Tente se diferenciar pela pessoa que você é, não por quão bem você interpreta seu papel.

Ah e mais uma última coisa. Há gente demais pescando no mesmo aquário, enquanto os peixes se seduzem pela “maior” promessa de isca.

 

notas:

Odeio o termo “Dominante de Verdade”, acho tão tosco quanto “sub de alma”.

Depois pesquise “inator” no google por curiosidade. Desenho animado <3. rs

Ja tive uma loja virtual BDSM chamada SafeWord.

Tem gente que leva todo o BDSM a sério? Sim.

Você pode levar tudo isso a sério? Sim.

Se minhas reflexões te ajudam a ter certezas, ótimo.

Se minhas reflexões te ajudam a ter dúvidas. Melhor ainda.

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  1. Existe realmente muito submisso. O problema é que não há qualidade de entrega, de vontade. Obedecer não é tão simples assim. Os submissos desejam mais no nível da fantasia do que na realidade. Há muitos desencontros. Fetichistas que se pensam submissos, submissos que se pensam masoquistas. Há muitos desencontros.

  2. Richter Richter

    “Tem Dominantes que tentam satisfazer outros aspectos de sua vida que não a realização sexual e por isso parecem ser egoístas, mas na verdade eles estão no BDSM pelos motivos errados. Os Dominantes de verdade estão aqui para ter realização sexual, mesmo que a realização sexual seja gozar em um banco de couro de um superesportivo.”

    Gostaria de tentar compreender isso melhor. Você poderia desenvolver mais essa parte?

    Eu discordo seriamente do foco sexual dentro do BDSM. Pra mim, ele é uma parte sim, mas não é o principal. Pra mim não tem essa coisa de “os dominantes de verdade estão aqui para ter realização sexual”

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