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Você não paga por que não quer ou por que não pode?

Ares 2

Bom, a menos que você esteja me lendo de algum país comunista, você vive em um mundo capitalista, que depende de dinheiro para trocas.

Como todo bom capitalista que se preza, você é bombardeado diariamente por ofertas, novos desejos, e tudo mais que seja extremamente sedutor a ponto de se tornar um produto.

Eu empreendo com BDSM, isso significa que sempre vejo as nuances e variações de coisas antigas, que se tornam novas, mais sedutoras e eventualmente com um custo maior. Porém a maioria das pessoas não entende bem o que compra ou o que paga.

Digamos que você veja um novo acessório.

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“Este é o Premium Private Kum Advanced ou Dream Inovator Cum Kum, com eles você consegue os maiores prazeres sexuais imaginados. ” . Começa a ler mais, pesquisar sobre o santo graal dos gadgets eróticos, vê todas as vantagens, não consegue encontrar nenhuma desvantagem nem ninguém na internet inteira que fale mal. Todo mundo elogia a simplicidade de usar e exalta tudo o que conseguiu com este “trem” super hiper mega blaster foda, e como ele mudou a vida dessas pessoas. Até aí tudo lindo, até você olhar o preço…

O preço é sim um fator limitante e excludente. Viva com isso.

Agora pense no que está consumindo.

Digamos que você se masturbe, manualmente, todos os dias e consiga obter orgasmos satisfatórios. São orgasmos apenas satisfatórios, que te satisfazem, aliviam a pressão e são simplesmente “ok”, nada de extraordinários. Digamos que você nunca teve um orgasmo na vida e precisa descobrir o que é isso. Ou digamos que você é uma pessoa que sempre investiu em sua própria realização sexual, tanto sozinha quanto acompanhada, e quer sempre coisas novas e experimentações.

Nos casos apresentados, cada uma dessas pessoas tem uma ideia do que é “justo” pagar pelos nossos amiguinhos “PPKA” ou “DICK”, tem um valor, tem um número aceitável ou não para investir o dinheiro suado do dia a dia.

Nós brasileiros temos uma cultura de olhar produtos, pessoas e tudo mais de forma superficial. É comum enxergar aquela pessoa linda e com a barriga sarada, e ignorar as horas que ela passa na academia. Aquela pessoa que tem um nível bom de conhecimento em determinadas áreas e ignorar o tempo que ela estudo para chegar até ali. E isso acaba afetando nosso julgamento por coisas simples e coisas que realmente merecem nosso dinheiro.

Eu estou tentando me tornar um mestre cervejeiro, em um curso que fiz este fim de semana ouvi a frase: Todo mundo vê as pinga que nois toma, mas não vê os tombo que nois leva. Chegar em algo que tenha um padrão de alto nível requer investimento, tempo, dinheiro, conhecimento, rotina, criatividade, etc. Sendo que isso não é visto pelo brasileiro médio, nós nos acostumamos a ser superficiais e avaliar tudo pelo preço.

Ok, mas você julga o preço pelo que pode pagar ou pelo que acha que vale?

Digamos que você quer saciar a sua vontade de experimentar algo novo. Vamos usar de novo a PPKA e o DICK. Você quer e quer encontrar um “bom negócio”, então vc encontra isso na internet e vai atrás de “comprar”. No fim das contas você encontra o site oficial, com preço de Apenas 999,99, em qualquer moeda 999,99 é considerado “muito”, e você acha no site B uma versão por 199,98, apenas 20% do preço. Quanto mais você olha, mais você pode pensar que essa diferença é pelo lucro exorbitante do fabricante, ou pela alta carga de impostos nacional, ou ainda porque tem um marketing melhor. Pode ser? Pode. É isso? Provavelmente não.

Para concepção da PPKA e do DICK, usaremos um processo simples. Você tem a ideia, pesquisa muito, descarta muitas ideias, tem outras novas, pesquisa mais até chegar a uma aceitável. Tenta fazer de um jeito, muda o processo, cria a tecnologia, erra, falha, aprende com isso e tenta de novo, repete isso algumas várias vezes. Chega num produto minimamente aceitável. Testa. Com o teste corrige algumas coisas, melhora e testa de novo. Chega a conclusão que está bom, e quer tentar isso no mercado. Chega em um preço que pague todo o tempo de pesquisa, o maquinário, os insumos de alta qualidade, os testes feitos, os impostos, o marketing, os funcionários, etc, etc, etc. Os custos são intermináveis.

E aí coloca sua margem de lucro. 10%, 15%, 20%, isso depende.

Aí aparece um concorrente, ele pega tudo aquilo que você demorou um tempão para desenvolver, inclusive sua ideia, e faz tudo com um material extremamente frágil e de baixíssima durabilidade. Faz um produto ruim e que não entrega 10% do que o seu entrega. Mas, ele tem preço.

Você via só o produto pronto, agora que sabe do que aconteceu, qual tem valor maior?

Agora vamos falar de BDSM e de pessoas. (Que é onde eu queria chegar, mas acabei enrolando muito.)

Você tem o Dominador A e o Dom Zé.

O Dominador A, estudou muito sobre BDSM, sabe e respeita completamente o SSC, mesmo que o submisso as vezes sinta pouco que é consensual, pois o Dominador A faz parecer não ser, e ele é mestre em criar esse condicionamento e essa Dominação Psicológica. Ele aprendeu tudo o que pôde gratuitamente na internet, pagou pelos cursos que achava interessantes, pagou por todo o conhecimento que não encontrou de graça, e continua aprendendo. Experimentou, errou, sofreu por isso e continuou. Ele se conhece a ponto de saber exatamente o que quer, e já tem uma boa noção de quem vai fazê-lo perder tempo.

O Dom de sub, nunca soube bem o que é isso de “BDSM”. SSC é de comer ou passar no cabelo? Ele descobriu o BDSM por alguém dizer a ele “É só você colocar Dom, chamar as mulheres de submissas, cadelas, etc., dar uns tapas, pode usar cinto mesmo, e você vai ter todo o sexo que quer”. Ele usa todos os seus acessórios improvisados, sem técnica e colocando a submissa e a si mesmo em risco. Ele não tem a menor noção de quais são os papéis e aborda todas as pessoas de forma igual, os outros Dominadores são “Nobres”, “Colegas”, e qualquer coisa que o valha, as mulheres são todas “submissas”, “Cadelas”, etc., para ele são todas “submissas em potencial”.

O Dominador A, dá a tarefa: você vai escrever um “A” no seu corpo e usar isso o dia todo, em um lugar que você veja sempre.

O Dom de sub, dá a tarefa: você vai escrever um “Dds” na sua pélvis, eu sou seu Dono.

Na prática é escrever na pele a inicial do Dominador. Na teoria um quer causar determinada reação na submissa, e o outro quer ver a pélvis, coxas, ppka e etc., com a inicial dele.

Um pergunta “Por que devo acolhe-la como submissa? ”, o outro afirma: “Venha até mim, quero que me sirva, serei seu Dono”.

Um diz “Para mim, você tem que ter tempo de servir, temos que conversar com frequência e construir uma relação”, o outro diz “Eu sou Dominador sexual, você vai ser minha submissa somente entre 4 paredes”.

Acredito em relações em que a submissa é submissa somente entre 4 paredes? Sim, e acho inclusive que são melhores em que a submissa é presa no papel o tempo todo. Mas acredito que os dois tem que ter tempo de construir uma relação de amizade, cumplicidade, companheirismo, etc. Por isso acho mais complicadas pessoas que já tem alguma outra relação conjugal no BDSM, mas é escolha dos envolvidos.

Aí num exemplo mais feminino. Você tem Dominatrix A, e DomiQuerMoneyslave.

A Dominatrix A, estudou muito sobre BDSM, sabe e respeita completamente o SSC, mesmo que o submisso as vezes sinta pouco que é consensual, pois a Dominatrix A faz parecer não ser, e ela é mestre em criar esse condicionamento e essa Dominação Psicológica. Ela aprendeu tudo o que pôde gratuitamente na internet, pagou pelos cursos que achava interessantes, pagou por todo o conhecimento que não encontrou de graça, e continua aprendendo. Experimentou, errou, sofreu por isso e continuou. Ela se conhece a ponto de saber exatamente o que quer, e já tem uma boa noção de quem vai fazê-la perder tempo.

A DomiQuerMoneyslave, não sabe o que é BDSM, não sabe o que é SSC, não tem certeza do motivo, mas disseram a ela que se ela postar fotos dos pés e dela mesma em grupos de MoneySlave, ela vai encontrar um trouxa que a dê dinheiro. Por que ele te daria dinheiro? “Não sei, só sei que as vezes funciona”. “Qual slave vai ter a honra de me presentear!!!”, “quero créditos de celular”, “Cade os capachos bem trouxas pra me mimar???”, são suas frases costumeiras em grupos de moneyslave.

Uma diz ao sub “Eu quero uma relação, quero seu respeito e quero sua entrega. ”, a outra diz “quero seu dinheiro”.

Uma observa o submisso e diz a ele em que pontos quer que melhore, a outra diz ao sub que ele está mimando pouco ela e que ela vai encontrar outro.

Uma quando se estabelece na relação, vê que se tem um sub de valor, tenta ajuda-lo a não ter tantos gastos com BDSM. A outra nem se preocupa se o submisso gasta mais do que tem, suga, como um parasita.

Uma quando encontra um submisso abastado e o mesmo tenta compra-la, controla o quê, quando, como e em que situação o submisso pode dar um presente. Ela diz a ele “você não cumpriu com o que mandei, eu não vou permitir que vc me presenteie e ainda vai ter este castigo”. A outra diz “você não cumpriu com o que mandei, você vai me dar isso, e aquilo, como um pedido de desculpas, e acho bom você se esforçar me dando mais presentes”.

São exemplos, eventualmente você pode se encontrar com pessoas que sejam “pobres” e perceber outras nuances. Da mesma forma, você pode encontrar pessoas “ricas” e não ver valor nelas.

Em todos os casos, o objetivo é ver valor. Tente observar a outra pessoa de uma forma um pouco mais profunda, além da primeira impressão.

Hoje em dia a proliferação de pessoas que não sabem o que querem, que não tem conhecimento e vivem da cultura do miojo é grande. Isso tem atrapalhado muito a percepção das pessoas, da mesma forma como os produtos de baixa qualidade importados.

Eu recomendo boas conversas, sobre qualquer coisa, é melhor do que encontrar aquela pessoa bonita e perguntar a ela o que ela curte.

E mais ainda, tente saber até onde é “ver valor”, até onde é “estou disposto a pagar o preço” e até onde “posso pagar”.

Normalmente, os prêmios mais altos vêm para os maiores esforços. Se quer o Dominador A ou a Dominatrix A na sua vida, tratando você como alguém especial para eles e havendo realização sexual mutua, tente se conhecer e saber até onde você consegue ir, e o quanto está disposto a “pagar” por isso. Eles costumam ser mais exigentes e oferecer recompensas melhores.

Se você quer um Dom de sub ou uma DomiQuerMoneyslave, tente economizar. Economize nas atitudes, economize na pesquisa para conhece-los, economize na entrega, economize em se conhecer e conhecer seus fetiches, economize de forma geral. E se você quer uma FinDom, só pra servir aos seus deleites e seus fetiches, eu recomendo que troque com frequência, compre o produto que quiser. Sempre haverá inúmeros “produtos de baixo valor” por aí. Pra mim estes são “qualquer um”, não suprem a necessidade de realização, mas resolvem a libido as vezes.

Agora faça um exercício de reflexão, além deste texto reflexivo.

Troque Dominador A e Dominatrix A, por “Pessoa A”, pense em quem são as “Pessoas A” da sua vida. Torne “Pessoas A” quem faça realmente a diferença na sua vida, e pague o preço para os ter em sua vida, fazendo uma diferença positiva.

Os outros, os “qualquer coisa”, use enquanto for bom, mas não perca muito tempo.

 

Considerações Gerais:

“Trem”, eu sou de Minas Gerais.

Fetisso é nacional, e eu tive problemas com eles recentemente, um dos produtos deles apresenta um erro de projeto e quando informei o que era, e como corrigir, eles começaram a ignorar meus e-mails, tanto de pedidos de compra quanto qualquer outro.

Eu estou entre o Dom de sub, e o Dominador A. Gosto de pensar que cresço um pouco a cada dia e sei que o caminho é longo.

Tenho inúmeras pessoas que considero nível A em minha vida, infelizmente não tenho muito tempo disponível, mas sempre que posso tento fazer a diferença na vida delas, mesmo que seja em uma conversa rápida mensalmente, ou com frequência menor.

Este texto é sobre ver valor, além dos 10% que costuma boiar na superfície.

Pensei em colocar mais imagens pra ilustrar o que penso ser cada um dos papeis, mas desisti, cada um tem seus exemplos mais próximos. rs

  1. Srta M Srta M

    Que texto sensacional! Adorei!

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