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Primeiro encontro, primeira sessão, até negociação

Ares 0

Você, pretenso submisso ou pretenso dominador, encontra um perfil que te atrai. Este perfil está em qualquer rede social. Algumas redes sociais permitem uma troca de mensagens instantâneas, outras requerem que vc lide com sua ansiedade. Você BDSMer solitário, que busca sua metade, lê o perfil atenciosamente, vê as fotos e escolhe algum detalhe que seja bom o suficiente para puxar um assunto. Escreve uma mensagem tentando se diferenciar de como acha que os outros fazem, afinal, você escreve melhor, leu o perfil da pessoa e tem algo a oferecer que ninguém mais tem. Envia a mensagem e aguarda ansioso.

Claro que você é esperto e evitou, o infelizmente bizarro e comum:

“E ai? Curte o que?”

“Quero ser arrombado hoje”

“Ola submissa, apresente-se a mim”

“Quero abrir uma negociação com você”

“Procuro um Dono”

Já viu como alguns BDSMers abordam outros?

Fuja de frases como as acima.

A resposta vem algumas horas depois, talvez alguns dias, mas você está com sorte, a pessoa respondeu! A resposta veio com alguns sorrisos, talvez resposta a alguma pergunta que você fez, mas vc encontrou um assunto para seguir com uma conversa. Que os deuses sejam louvados.

Algum tempo depois, você aborda o tema práticas. Neste momento é bom introduzi-las no assunto, você mostra a pessoa que quer algo sexual com ela, e a respeita. Fala do básico, do spanking, do bondage. Descobre um pouco das coisas que a pessoa gosta para saber se estão ligadas ao que você gosta. A coisa toda parece fluir.

Com mais intimidade você aborda alguns temas um pouco mais polêmicos. Tenta descobrir por que uma pessoa tão maravilhosa daquela está sozinha. Tenta fisgar algum defeito ou coisa que a torne mais real. Leva com leveza coisas que você gosta e ela não gosta, para tentar saber um pouco da flexibilidade dela. Procura fatores que são impeditivos na relação.

Este momento é extremamente importante, pois é nele que você vê um pouco dos riscos de se envolver com a pessoa.

É bom tentar entender melhor pessoas que aceitam tudo, que prometem muito, e pessoas que são rígidas demais sobre determinado assunto. Os motivos da pessoa normalmente dizem muito sobre ela. Se a pessoa terminantemente não aceita tal coisa, pode ser que ela carregue um trauma, ou não seja tão aberta a novas experiências quanto diz ser.

Pessoas que se agarram demais a coisas pequenas são problema.

Eu (homem, hétero, que trabalhoa tenho meu dinheiro, etc.) não pago motel sozinho, somente em raríssimos casos e quando eu já tenho uma relação estabelecida e sei da condição financeira da outra pessoa. Conta de bar e de restaurante? Também não. É minha forma de fazer as coisas. Acho que a pessoa que está comigo tem tanto prazer quanto eu, e eu não sou machista, deixo ela pagar também. Ela lutou tanto por seus direitos! Então, se ela se prende que o Dom tem que pagar, que o homem paga, ou qualquer coisa, já sabemos que não daremos certo. Eu sigo a minha vida e ela a dela.

Então é importante saber em que barco você está entrando. Às vezes você percebe muitas coisas no real, que no virtual não serão visíveis e percebe também a partir de certo ponto de maturidade da relação. Enquanto a pessoa é virtual, ela deixa espaço para que você a imagine como quiser e normalmente ela é perfeita, e não real.

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A conversa segue por mais alguns dias, as afinidades se mostram presentes. Com algum tempo vem o convite para um encontro. (varia muito sobre qual é um timing bom para um primeiro encontro, mas ele deve acontecer quando já deu tempo de saber o mínimo da pessoa). A coisa toda acontece, aquela pessoa que era virtual, que era somente “partes” (muitos bdsmers postam partes do corpo em vez de fotos inteiras, já reparou como as rainhas parecem ser só um par de pés?), está presente, materializada à sua frente. A conversa se torna mais real, as entonações conferem a outra pessoa um ar de sedução. O clima esquenta. Vem o primeiro beijo. Vem o segundo beijo. Vem o convite para uma conversa mais reservada.

Se é um encontro puramente BDSM, eventualmente o Dominante pode não querer beijar, isso é opção das partes.

Você como uma pessoa preparada que é, já pesquisou na região onde se encontraram, um motel, hotel ou qualquer coisa que o sirva. Você como uma pessoa preparada que é, trouxe seus apetrechos, aparatos e camisinhaS. Você como uma pessoa preparada que é, está com os pelos pubianos sob controle, passou um perfume, não tem couve nos dentes e enquanto estavam em seu encontro, comeu algo leve. Ou seja, o campo está preparado para que o momento seja ótimo.

Já no espaço próprio para as coisas acontecerem. O clima que estava quente começa a esquentar mais, a brincadeira começa, o dominante dá algumas ordens e direções, o submisso obedece prontamente e a química rola solta. (Depois eu vou escrever um roteiro de sessão, apenas para ilustrar).

Os dois satisfeitos seguem seu caminho.

Já com os dois em casa, a conversa continua. Neste momento é saudável que se pergunte, “o que achou dá pratica tal? “, “ o que achou quando fiz tal coisa? “ Normalmente é perceptível quando a pessoa gosta ou não de algo na sessão, mas é de bom tom perguntar depois o que ela achou. Evite “e aí? Gostou? ” Lógico que gostou! Se não tivesse gostado não estariam se falando ou a conversa se extinguiria.

Neste ponto começa a negociação.

Acredito que a negociação deve começar somente depois do primeiro encontro, e se possível da primeira sessão.

Assumir uma relação com alguém é uma coisa séria e requer cuidado. Portanto, tenha certeza de que é isso mesmo que quer.

*O roteiro para negociação vem depois.

 

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