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Dono(a) você só tem um!

Ares 2

Este é o primeiro tópico sobre liturgia que escrevo e como todos os conteúdos dos meus textos, reflete minhas opiniões, posso estar errado, mas para que isso se prove verdade, vc teria que ter bons argumentos.

Bom.

Quando o submisso se descobre excitado com poses, sensações e práticas em que se vê como submisso, ele costuma procurar sobre isso na internet. Em alguns cliques, com algumas palavras chave, o submisso descobre que há um “Dark Side” no facebook, há uma rede social fetichista ativa, há também brasileiros que mantém seus perfis. É todo um mundo novo que desperta tesão e curiosidade.

A etapa que eu recomendo é procurar aprender sobre BDSM. O que é BDSM? O que é SSC? Quais as práticas que me atraem? Que tipo de pessoas existem no meio BDSM? Se for para escolher um papel, qual seria? Estou disposto a entrar nisso de corpo e alma ou quero só apimentar as coisas? Estou procurando um parceiro ou diversão? O submisso que começa agora, normalmente tem pouquíssimas respostas e muitas perguntas, e como é ávido a experimentar as coisas, ele costuma pular a etapa de autoconhecimento, para ir direto criar um perfil em uma rede social.

Há textos e blogs ótimos, há MUITO conteúdo em inglês, porém em português existe pouco conteúdo, e só recentemente ele começou a se renovar e melhorar a sua qualidade.

No passado haviam muitos brasileiros que tinham conteúdos riquíssimos, hoje em dia eles desistiram do BDSM, vivem felizes com o Dom/sub encantado, ou morreram, e junto com eles seus blogs e sites.

O senhorverdugo.com era um site que eu normalmente recomendava as pessoas, porém, a um tempo ele virou um grande bate papo. A pior parte deste grande bate papo bdsm, é que você loga no site, e loga junto no bate papo, aí tem a turma do bom dia, boa tarde e boa noite, que fica te cumprimentando e a cada mensagem recebida um estalo de chicote (é o som que faz quando se recebe uma mensagem). O conteúdo que era escancarado hoje fica escondido e em segundo plano, não sei nem se tem conteúdo lá mais. Enfim…

Todo submisso quando começa no BDSM normalmente se encaixa em uma postura ativa, ou uma postura passiva. A postura ativa é a de criar perfis em redes sociais, adicionar pessoas, e puxar papo. Normalmente os homens costumam ser mais assim. A postura passiva é a de criar os perfis, torna-lo minimamente atraente e aguardar os contatos. Não acho que exista regra ou forma correta de fazer, acho que os que tem postura ativa conseguem conhecer mais pessoas e ter mais experiências, mas tudo depende de sorte, aparecer a pessoa certa, aparecer na hora certa, e falar a coisa certa no momento certo. E além de tudo, os BDSMers brasileiros, tem a mania de usar fotos que não são suas, então se viu uma foto de perfil e parece um modelo, pode ser que seja mesmo, e outra pessoa atrás do computador não tenha nada a ver com aquele modelo.

Seguindo.

O submisso sem grande conhecimento começa a construir seu networking. Adiciona submissos, dominantes, simpatizantes, podolatras, e por aí vai…. Começa a ter seu aprendizado Hands On, na prática, aprende enquanto tenta viver a experiência. Alguém diz a ele entre outras coisas sobre liturgia que “todo submisso deve tratar um Dom como Senhor”, ele franze a testa, engole e segue.

Mas na minha opinião, aí tem um erro.

“Poxa, eu entrei no BDSM pq queria uns tapas e agora todo mundo manda em mim? ”

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Palma, Palma, não priemos cânico. (Chapolin Colorado). Rs

No BDSM há o jogo de poder, uma “hierarquia”. Um se submete por isso o outro domina. SSC na veia. (Se você não sabe o que é SSC, azar o seu…)

Portanto o submisso escolhe a quem se entregar.

(de novo)

O SUBMISSO ESCOLHE A QUEM SE ENTREGAR.

Na relação, Dom/sub (D/s para os íntimos), uma das coisas mais interessantes é a cumplicidade que se desenvolve entre Dom e sub.

O submisso e o Dominador se encontraram por aí, a conversa foi boa, a química foi ótima, e o submisso resolveu se entregar.

O Dominador e o submisso se encontraram por aí, a conversa foi boa, a química foi ótima, e o Dominador resolveu cativar o submisso.

E aí vem a graça da coisa, o submisso só deve curvar-se àquele o qual ele escolheu. O submisso e o Dominante se conhecem, tem uma relação de respeito, cumplicidade, intimidade, e mais um monte de coisas, então por que cargas d’água, ele tem que chamar a todos os “dominantes” de Senhor?

Se o submisso quiser, ele pode, e ele deve chamar os “dominantes” de Senhor.

Se o Dono do submisso quiser, o submisso deve chamar os “dominantes” de Senhor.

Se o submisso, livre e desimpedido, que não reconhece aquele com quem conversa como Dominante (com letra maiúscula e sem aspas), ele não precisa chama-lo de Senhor. E tem mais, é o submisso quem se entrega, não é o “dominante” que força a dominação, inclusive e dependendo do nível da coisa, “dominar” alguém sem consentimento é crime.

Certa vez, uma submissa que era minha e que seguia a minha liturgia, colocou um “dominante” em seu lugar. Estavam os dois, e mais algumas pessoas, em um grupo de whatsapp de BDSM. O cara tentou crescer para cima dela, impor a ela a liturgia dele, e exigir que ela o chamasse de Senhor. Ela foi educada a primeira vez, a segunda, e na terceira disse a ele, e pro grupo todo ler, que “Eu não sou obrigada a reconhecer você como Dominante, inclusive não acho que você seja”, esse cara ficou indignado e disse que diria ao Dono dela o que havia acontecido. E esse cara veio mesmo. Veio falar comigo. Rs

Obs.: Para facilitar a leitura eu vou usar pontuação, quando “O cara” me abordou, ele não usou.

O cara: – Olá Nobre.

Eu: – Olá, Boa noite, tudo bem?

O cara: – Não. Sua submissa me faltou com o respeito em um grupo BDSM. Gostaria que ela fosse punida.

Eu: – O que ela fez? (Nessa hora achei que veria algum print ou coisa do gênero, talvez ela foi escrota com ele, não que eu me envolvo com mulheres escrotas, mas eu prefiro mulheres com personalidade forte e bem resolvidas, e alguns caras merecem que sejam escrotos com eles)

O cara: – Ela se recusou a me chamar de Senhor em um grupo de whatsapp, e quando disse a ela que estava errada, que ela deveria seguir a liturgia, ela ainda disse que não me reconhecia como Dominante, e eu sou o Dom fulano de tal. Não gostei do que li e quero que ela seja punida. É seu dever puni-la.

Eu: – E o que você fez?

O cara: – Disse a ela que viria falar com o Nobre e que ela seria punida.

Eu: – Vocês têm alguma relação?

O cara: – Não temos, só conversamos no grupo, Nobre. Ela é submissa, eu sou DOM, ela tem que me respeitar como tal.

Eu: – Mas ela tem Dono, que sou eu, certo?

O cara: – Sim, e é por isso que o Nobre tem o dever de ensina-la a liturgia correta, ela não pode tratar DOMs como fez comigo.

Eu: – Entendo. Bom, eu vou falar com ela.

O cara: – Ótimo Nobre, quero que ela seja punida, me avise da punição dela.

Eu: – Sim Senhor, rs (percebam o sarcasmo… O cara infelizmente não percebeu rs)

 

Aí mandei whatsapp para a submissa, já rindo até.

Eu: – Sub, o que houve entre vc e o Dom fulano de tal?

Sub: – Olá Senhor, ele insistia que eu deveria chama-lo de Senhor, e meu Dono é o Senhor, e não ele. Portanto ele insistiu muito, me incomodou e eu disse a ele que só tinha um Dono, e que para o meu Dono, só meu Dono era Senhor, os outros eram “você”, que eu tinha que respeitar como pessoa, mas nada além disso. Fiz certo?

Eu: – Sim sim, é isso mesmo.

—-

Resumo da ópera:

Se o submisso faz porque gosta, ótimo. Agora se o submisso está no meio BDSM em busca de realização, não cabe fazer nada que ele não queira, é o Consensual do SSC. Ele escolhe para quem se entregar, essa pessoa recebe a entrega e os dois constroem juntos a sua liturgia.

Aceitar que um terceiro diga como vai ser sua relação ou o que você vai fazer com seu parceiro, é no mínimo, uma piada de mal gosto.

Não tem graça Dominar alguém que baixa a cabeça pra tudo. Um submisso forte, bem resolvido, que gosta de si mesmo e que escolhe a quem se entregar, é garantia de satisfação. Da mesma forma que quem usa o título de Brat para não respeitar seu dominante é garantia de insatisfação.

Encontre alguém com quem vc combine, construam juntos a sua relação ideal e deixe de fora quem deve ficar de fora.

Seja como o Yoda.

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  1. Luabh Luabh

    Excelente explicação. É exatamente isso que muitas de nós subs passamos…

    • Ares Ares

      Obrigado Lua!

      Esse tipo de reflexão é importante, se não vc acaba fazendo muita coisa pela vontade dos outros, sem necessariamente curtir o que gosta.

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