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O que te trouxe até aqui?

Ares 0

(texto originalmente postado no bdsmmg.com.br o site que eu uso para divulgar eventos em BH)

Pelo que consigo lembrar rapidamente das pessoas com quem conversei, a forma de descobrir a existência do BDSM e dos fetiches, e de se identificar com isso varia muito.

Alguns exemplos:

-” Descobri o BDSM vendo pornografia na internet, e eventualmente acabei em algum conteúdo mais hard ou que remetia ao BDSM, seja no spanking, no bondage ou outra prática relacionada, a partir daí e com alguma pesquisa descobri que poderia fazer aquilo sem que isso representassem nenhum crime.”

– “Descobri o BDSM ainda na escola, nas brincadeiras entre turmas e nos intervalos eu era sempre o bandido, aquele que queria ser capturado, vencido, seja pelo numero superior de policiais femininas ou pela força física de alguma delas”.

– “A minha primeira experiencia que me lembro ser BDSM é de quando eu era criança. Certa vez, tarde da noite, me levantei e vi um primo assistindo TV na sala, o sofá ficava de costas pra porta do meu quarto então ele não me percebeu, me deitei no chão entrando por baixo do sofá, ele era mais alto então poderia ficar ali sem problemas e vi o filme, era um filme em que a mocinha era capturada, amarrada e amordaçada e em determinado momento o vilão usava da condição de fragilidade da mocinha para poder humilhar e abusar dela. Não era nada sexual, era insinuante como os filmes eróticos da época. Nunca consegui descobrir o nome daquele filme.”

– “Li um livro certa vez, o livro era fraco, tinha elementos BDSMers e um estereótipo de homem que toda mulher gostaria de ter, as vezes me identifiquei com a protagonista, principalmente pelos medos e anseios. Do livro em si ficaram alguns termos, que serviram com pistas, pegadas ou uma trilha, que me levaram a pesquisar mais e mais, hoje vejo o quanto o livro é bobo, mas me trouxe algo mais profundo.”

– “Sempre gostei de pés, nunca entendi o motivo, era comum as vezes entrar debaixo da mesa de jantar e ficar lá, vendo os pés das pessoas. Com o tempo o fetiche cresceu, pedi namoradas pra pisarem em mim, alguns chutinhos, sempre gostei de massagear os pés delas, as vezes fui mal interpretado, outras vezes elas ficaram felizes. Aí um dia eu estava pesquisando na internet e descobri que tinha nome, praticantes, pessoas adeptas e todo um mundo novo”.

– etc, etc, etc…

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Todo mundo começa de algum lugar, de experiencias na época da infância, até sensações e estímulos físicos que mostram outras formas de sentir prazer.

O que muda de pessoa pra pessoa é normalmente o tempo de aceitação, o tempo de descoberta, e aí procuramos mais informações e formas de viver isso, ou reprimimos e tentamos matar esses desejos até que um dia eles sejam mais fortes que nós e algo aconteça, aparece a curiosidade de pesquisar a respeito, o desejo do corpo de sentir, e a coragem de procurar outra pessoa seja virtualmente, seja pessoalmente ou indo a alguma festa ou evento.

O que te trouxe até aqui não faz muita diferença, mas a partir daqui sim. As pessoas que procuramos, as experiencias que temos moldam como vai ser nossa realização do fetiche, portanto quanto mais informação e mais certeza, maiores as chances de que seja bom.

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