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BDSM como opção de Negócio

Ares 0

BDSM como opção de Negócio

Já tenho 8 ou 9 anos de BDSM, que participei do meu primeiro evento e conheci a primeira submissa e durante todo esse tempo vi muita coisa, inclusive BDSM sendo tratado como opção de negócio.

Em todo o mundo o BDSM é visto como diversão pela maioria e um negócio para alguns poucos aventureiros. Dentre os que veem BDSM como negócio, há aqueles que ganham milhões, aqueles que ganham milhares, e aqueles que além de não ganhar dinheiro algum ainda perdem.

De um tempo para cá resolvi trabalhar com BDSM, estando conectado a BDSMers dentro e fora do meio BDSM, pois BDSM não se limita nunca somente ao meio BDSM, e sim a toda uma sociedade baunilha que consome artigos BDSM, já vi de tudo. Há lojas virtuais abrindo diariamente, normalmente com pouco planejamento, pouco capital e por consequência pouca potência para penetrar os mercados certos e conseguir sustentabilidade. Planejamento e sustentabilidade são palavras chave para todo e qualquer negócio hoje em dia, sem elas, você simplesmente faz parte de uma estatística de negócios de que 27% das empresas fecham em seu primeiro ano e 56% não chegam ao seu 5º aniversario.

Na minha visão, há tipos de negócios relacionados ao BDSM que podem trazer bons frutos, enquanto que outros são barcos furados, principalmente se observada a necessidade de capital inicial.

Lembrando que, todo e qualquer negócio em que não haja um diferencial significativo, que brilhe aos olhos do cliente, vai ter seu inevitável fim. “Eu tenho bons preços”, “Eu tenho bom atendimento”, “meu produto é de qualidade”, tudo isso é básico, o que você faz além? Por que consumiriam o seu produto, o seu serviço e não o de um concorrente?

Se o seu negócio é virtual, pior ainda, pois além de todas estas questões, o seu concorrente vai estar a um clique de distância, e o seu potencial cliente vai comparar, você gostando ou não.

Bom, alguns dos modelos de negócio que já vi, não vou entrar detalhadamente no método de funcionamento de cada um, mas eventualmente numa conversa privada eu teria mais informações.

 

Loja Virtual BDSM

Você chegou agora no BDSM, passa por dificuldades para encontrar acessórios e roupas no preço e prazo que acha justo. Vê os de sex shop e não gosta daquelas coisas de pouca durabilidade e pouca qualidade. Acha um absurdo ter que esperar em média 6 meses por acessórios da China, que podem ser bons ou ruins. Acha que os preços cobrados por lojas especializadas europeias ou norte americanas são altos. Encontra pouquíssimas lojas especializadas e acha o preço cobrado por elas muito alto. Se tudo isso passou pela sua cabeça, parabéns você é mais um apto a abrir uma loja virtual.

Shereen Loth, owner of Romantic Boutique, dons a 50 Shades of Grey mask at her Laguna Beach shop on Monday. The store has added the 50 Shades of Grey adult products including handcuffs, masks, scents and sex toys. Loth said the products are similar to other items she sells, the difference is these are branded as 50 Shades of Grey. ///ADDITIONAL INFORMATION: Slug: 50shadesretail.0213.jag, Day: Monday, February 9, 2015 (2/9/15), Time: 11:08:42 AM, Location: Laguna Beach, California - Shereen Loth, Romantic Botique - JEFF GRITCHEN, STAFF PHOTOGRAPHER
Shereen Loth- JEFF GRITCHEN, STAFF PHOTOGRAPHER

Em cada um dos pontos, se você vê tudo superficialmente pode acabar pensando que é um bom negócio, e pode vir a ser, mas não é hoje em dia.

Normalmente você, quando começou, foi a Sex Shops, viu os acessórios deles e achou de baixa qualidade, mas se perguntou o porquê de serem de baixa qualidade?

Tenho um conhecido que é dono de uma distribuidora de acessórios (chicote, algema, consolo, vibrador, lingerie, etc, tudo ligado a sex shop), e ele vende exclusivamente para sex shop. Há algum tempo eu tive oportunidade de enche-lo de perguntas sobre o ramo erótico no Brasil e uma delas foi “Por que você não oferece produtos de melhor qualidade? ”. E a resposta foi simples e direta “Porque o meu foco não é vender pouco, eu ganho no volume, o seu foco são acessórios duráveis e de extrema qualidade, inclusive alguns são considerados arte, o meu foco é aquela namorada que quer usar uma sainha nova para o namorado, um par de algemas descartável e outros acessórios que “resolvem” o problema no momento e que não precisam de um investimento alto, até porque eu tenho que deixar margem para as Sex Shop trabalharem”.

Portanto, abrir uma loja virtual e achar que vai vender muito é comum, dentro e fora do meio BDSM, o que muda de um negócio para outro vem das ideias e dos produtos relacionados ao gosto pessoal, mas todos eles têm muito pouco ou nenhum diferencial, fabricar produtos tem suas vantagens, mas será que seus potenciais clientes veriam estas vantagens? Ou será que como você eles pensariam que o que vc fabrica com materiais premium seriam caros e isso seria uma oportunidade de negócio?

 

Eventos e Festas temáticas

Esta é uma opção controversa. Pode ser que dê retorno, mas também depende.

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Por todo o Brasil há eventos BDSM, de todos os tamanhos, desde encontros entre amigos até festas e eventos maiores para 100, 200 pessoas. É um bom nicho eventos BDSM e fetichistas? Sim, o Brasil carece de eventos de qualidade, que satisfaçam completamente os convidados ou que sejam tão bons quanto os misteriosos eventos europeus, contados como boas histórias por aqueles que estiveram lá ou pelas fotos que inundam a internet.

Mas fazer um evento não é fácil. Requer uma boa divulgação, bebidas, comidas, performances, e até um público alvo bem definido. Normalmente há 3 tipos de evento principais dos que já vi acontecer aqui no Brasil:

– Encontros pequenos e privados, com um público selecionado que normalmente se forma por afinidade. Pode ser encontros com amigos em locais reservados, aí entram churrascos, jantares DressCode, PlayParty, e até alguns encontros que grupos se organizam para fazer sessões. É variado, sem molde definido e não dá dinheiro, só diversão.

– Munch, Tertulias, e encontros para se falar de BDSM, normalmente tem um horário inicial e participantes bem definidos. Cada um destes eventos tem normalmente o molde elaborado ou adaptado pelo seu organizador, são reservados e discretos, tem o endereço divulgado somente aos participantes selecionados e são uma ótima forma de se começar. O intuito deste tipo de evento acaba por ser mais educativo, propiciando novatos a se adaptarem mais facilmente. Normalmente dá mais trabalho do que retorno financeiro, inclusive, nunca pensei numa forma que seja satisfatória de monetizar um evento como este, acredito que nem caiba.

– Festas temáticas já são eventos que trazem um certo retorno, mas também dão mais trabalho. As festas mais “badaladas” normalmente acontecem em SP, mas tenho conseguido ótimos resultados em BH. Normalmente o retorno acaba sendo diluído pela frequência das festas, mas se você faz festas mensais e tem por exemplo um retorno de 1.000 por festa, se fizer semanais com certeza não conseguiria 250 por festa. O público BDSM que frequenta festas também tem vida baunilha, portanto eventos semanais permitiriam uma maior flexibilidade, mas com o tempo se tornariam cansativos e repetitivos. Será que você conseguiria ter novidade toda semana para atrair sempre um ótimo público?

Cursos e Workshop BDSM

São boas opções, eu normalmente gosto de fazer e de ministrar cursos. O público BDSM sempre careceu de conteúdo de qualidade, de boas referencias e de uma forma mais tranquila de conseguir trilhar seu caminho, principalmente no inicio. Quando as pessoas começam no BDSM elas estão ávidas por conhecimento, mas a medida que se aprofundam tendem a se acomodar, parar com leituras, parar com pesquisas e até se acharem mestres mesmo com pouca experiência. Cursos são formas das pessoas serem apresentadas a coisas novas e até se especializarem no que desperta interesse. Porém não é fácil, eu costumava ministrar cursos para 30 pessoas originarias de todos os estados brasileiros, eram 3 dias, com uma equipe que me ajudava de 4 pessoas e exige uma divulgação seletiva, assertiva e irresistível ao seu público alvo, além de logística, hospedagem, transporte, local para o curso, alimentação, material didático, material para treino, pessoas para interagir com quem for aprender, segurança tanto dos envolvidos quanto para as práticas. Portanto, se quer trabalhar com cursos é necessário pensar sobre: O que você vai ensinar? Vai ser um curso ou workshop? Qual o objetivo do seu público alvo aprender sobre isso? Quanto vale o seu trabalho? Quanto vale o conteúdo? Você é referência no assunto? Você é tido como uma pessoa idônea? O que vende o curso, além da divulgação, é quem faz o curso acontecer. Não adianta ser uma pessoa malvista, com pouca empatia, pouco carisma e pouca expertise, você simplesmente não vai ter adesão e eventualmente algum prejuízo.

 

Dominação Profissional (submissão profissional)

Dominação Profissional é um tema polêmico. Há quem associe Dominação Profissional com prostituição, há quem defenda que Dominação Profissional não é prostituição por não envolver sexo, etc. Normalmente quem trabalha com o lado profissional do BDSM tende a ser alvo de preconceito, as vezes dentro do meio BDSM, as vezes fora do meio BDSM. Este preconceito acontece tanto para Dominadoras Profissionais, para DominadorEs Profissionais, submissas profissionais e submissos profissionais. No Brasil a cultura da dominação profissional por parte das mulheres vem ganhando força nos últimos anos e se tornando uma opção de carreira razoável, depende de uma divulgação boa, de técnica para as práticas e até técnica para lidar com os potenciais clientes.

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(http://barbieadored.deviantart.com/art/fin-domme-by-Barbie-Adored-558669264)

Os clientes que procuram serviços profissionais relacionados ao BDSM eventualmente são novatos que querem uma primeira experiência com BDSM de forma mais tranquila, mas há aqueles que buscam este tipo de coisa pela facilidade de se trocar dinheiro pelos serviços evitando assim o “trabalho” de se cultivar uma relação. Os ganhos variam muito e são cobrados costumeiramente por hora, 50, 100, 200 a hora, até 800, 1000, 2000, e por aí vai. Apesar de alguns dominantes fecharem pacotes com seus submissos, sejam de horas de sessão, treinos específicos ou o que quer que seja interessante para a parte dominante e a parte submissa. Os valores variam muito dependendo muito do poder aquisitivo do cliente, mas também da expertise e da habilidade do dominante de encontrar e cativar o cliente certo.

A maior dificuldade dos serviços profissionais relacionados ao BDSM está intimamente relacionada a um ditado popular que diz “difícil não é matar um leão por dia, é desviar das antas” e sem dúvidas a melhor forma de divulgar os serviços profissionais é a internet, mas fazer isso por conta própria e sem muita técnica pode trazer problemas se você não tomar alguns cuidados básicos. É necessário separar a vida baunilha do BDSM, principalmente se você trabalha com isso. Então é bom escolher um apelido ou “nome de guerra”. É necessário ter um site ou uma página para divulgação dizendo o que faz e o que não faz, usando isso como um primeiro filtro para aqueles que ligam só para incomodar não trazendo nenhum retorno financeiro. Criar um site como um blog é uma alternativa de baixo custo que traz baixo retorno financeiro, se você tem um blog ou uma página do Facebook mas não tem tempo de atualizar frequentemente, o seu blog vai ser mal ranqueado pelo google, atraindo poucos visitantes,e os que chegarem ao site e a página do Facebook vendo postagens de 1 mês atrás ou mais, vão achar que seu blog está abandonado, bem como seu site e que talvez você nem domine mais profissionalmente. Anúncios em site de GP são uma opção mais barata e que pode trazer retorno, trazem até um número bom de ligações, mas por algumas recentes pesquisas que fiz, acabam por trazer também aqueles que procuram por sexo, sendo necessário uma triagem posterior.

 

Para concluir, há também outros meios de ganhar dinheiro com BDSM, mas o sucesso nisso depende muito de como se faz. Há pessoas que ficam o tempo todo em redes sociais pedindo “mimos”, “presentes”, “recarga de celular”, passam numero de boletos para os “trouxas” pagarem. Há aqueles que fazem blackmail, chantagem e outros crimes.

O que recomendo é pensar no seu negócio de forma a torna-lo sempre sustentável. O que você faz hoje para ganhar dinheiro com BDSM, faria daqui a 10 anos a mesma coisa? O que vc faz hoje tem implicações legais? O que você faz hoje depende realmente de “sair um trouxa de casa” ou você troca o seu prazer de ser mimada pelo prazer do submisso em te mimar?

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